terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mulheres e negros têm menos acesso a transplantes de órgãos


Pesquisa recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que ser mulher e ser negro, no Brasil, pode diminuir ainda mais as possibilidades de tratamento eficaz na rede pública de saúde. Estudo inédito sobre transplantes de órgãos sólidos (como coração, fígado, rim, pâncreas e pulmão) mostra que a maioria dos transplantados no Brasil são homens da cor branca.
A pesquisa Desigualdade de Transplantes de Órgãos no Brasil: Análise do Perfil dos Receptores por Sexo, Raça ou Cor aponta que a cada quatro receptores de coração, três são homens, e 56% dos transplantados têm a cor da pele branca. No transplante de fígado, 63% dos receptores são homens e de cada dez pessoas que recebem o órgão, oito são brancas.
A maioria de receptores de pulmão também é formada por homens (65%) e pessoas brancas (77%). No transplante de rim, os homens também são maioria (61%) e 69% dos atendidos são brancos. Homens e mulheres são igualmente atendidos nos transplantes de pâncreas, mas 93% dos transplantados são brancos.
DESIGUALDADE – Para Alexandre Marinho, da diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea e um dos autores da pesquisa, “o trabalho revela que há desigualdade no recebimento dos órgãos, o que não deveria ocorrer, já que o acesso à saúde é um direito universal”.
Os pesquisadores analisaram dados de 1995 a 2004, fornecidos pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Marinho explica ainda que as causas da diferença entre brancos e negros não foram o foco do estudo, mas acredita-se que as condições socioeconômicas tenham influência no momento da escolha do paciente.
DESCASO – A Constituição Federal determina que a saúde é um direito de todos os brasileiros e um dever do Estado. Mesmo com os avanços obtidos através da instalação de diversos dispositivos legais, é inegável que brancos, negros, indígenas e pardos ocupam posições diferentes na sociedade e, consequentemente, vivem experiências diferentes ao recorrer à rede médica.
Confira abaixo alguns dados que demonstram a desigualdade no atendimento recebido por negros e negras no Brasil:
• Dados de 2008 divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-IBGE) revelaram que 40,9% das mulheres pretas e pardas acima de 40 anos de idade jamais haviam realizado mamografia, contra 26,4% das brancas na mesma situação;
• Das mulheres acima de 25 anos, 37,5% das negras e, 22,9% das brancas jamais haviam realizado exame clínico de mamas. No mesmo intervalo etário, 18,1% das pretas e pardas e 13,2% das brancas nunca se submeteram ao exame Papanicolau (exame ginecológico preventivo);
• De acordo com o relatório Saúde Brasil 2005: uma análise da situação de saúde, o risco de uma criança preta ou parda morrer antes dos 5 anos por causas infecciosas e parasitárias é 60% maior do que o de uma criança branca;
• Também o risco de morte por desnutrição apresenta diferenças alarmantes, sendo 90% maior entre crianças pretas e pardas do que entre brancas;
• De acordo com a PNAD de 2006, a realização de exames clínicos de mamas durante uma consulta ginecológica é menos frequente em mulheres negras do que em mulheres brancas;
• No período de 2007 a 2009 o risco de uma mulher negra entre 10 e 29 anos de idade morrer por câncer de colo de útero foi 20% maior que aquele apresentado para uma mulher branca na mesma faixa etária.

Presidenta Dilma determina inclusão de cotas em programa de bolsas no exterior

A presidente Dilma Rousseff determinou a reserva de cotas para negros e indígenas como um dos critérios de escolha dos 100 mil bolsistas do Programa de Bolsas no Exterior Ciência sem Fronteiras. O anúncio ocorreu durante a 38ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) na semana passada, no Palácio do Planalto. A iniciativa busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira através do intercâmbio e da mobilidade internacional.
A presidente afirmou que ainda não há um percentual exato do número de cotas a ser disponibilizado e que as 75 mil vagas em cursos nas áreas tecnológicas e exatas serão distribuídas por Estados, sendo que uma parte será concedida obedecendo a critérios étnicos e de gênero. Além disso, Dilma Rousseff espera que a iniciativa privada se engaje e forneça mais 25 mil vagas. No total, o governo planeja investir R$ 3,1 bilhões.
Para o presidente da Fundação Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, “as cotas representam um avanço na democracia para mais da metade da população brasileira formada por afrodescendentes, contribuindo para a redução das desigualdades sociais e econômicas no país”.
A intenção do governo, com o Programa Ciência sem Fronteira, é enviar estudantes para as 50 melhores universidades do mundo no exterior e também atrair talentos para trabalhar no Brasil. Das 75 mil bolsas, 27.100 serão destinadas, nos próximos três anos a alunos em graduação; 24.600 a doutorados de um ano; 9.790 para doutorados de quatro anos e 8.900 para pós-doutorados. O Brasil também quer atrair 390 pesquisadores visitantes.
No programa Ciência sem Fronteiras, as áreas prioritárias são:
• Engenharias e demais áreas tecnológicas;
• Ciências Exatas e da Terra: Física, Química, Geociências;
• Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde;
• Computação e Tecnologias da Informação;
• Tecnologia Aeroespacial;
• Fármacos;
• Produção Agrícola Sustentável;
• Petróleo, Gás e Carvão Mineral;
• Energias Renováveis;
• Tecnologia Mineral;
• Tecnologia Nuclear;
• Biotecnologia;
• Nanotecnologia e Novos Materiais;
• Tecnologias de Prevenção e Mitigação de Desastres Naturais;
• Tecnologias de transição para a economia verde;
• Biodiversidade e Bioprospecção;
• Ciências do Mar;
• Indústria Criativa;
• Novas Tecnologias de Engenharia Construtiva;
• Formação de Tecnólogos.

“Dia da Mulher Africana”

No dia em que se comemora o
                                             “Dia da Mulher Africana”


data instituída em 31 de Julho de 1962 após uma reunião de pan-africanistase que foi instaurada com o objetivo de discutir o papel da mulher na reconstrução da África, no combate à propagação da AIDS, na educação e na garantia da paz e da democracia.
queremos convidar você acooperar, colaborar com a Mulher Africana, assinando a petiçãoAssine agora


que exige dos líderes mundiais ações imediatas para salvar da Fome, da Violência, do Abandono milhões de vidas, especialmente na região conhecida como “chifre da África”, onde estão localizados os países: Somália, Quênia e Etiópia que, além de tudo, ainda estão sofrendo uma das secas mais severas dos últimos 60 anos 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

25 de Julho - Dia Internacional da Mulher Negra


Caso não esteja visualizando, clique aqui!
Ano 1 - Edição Nº 01 Brasil, julho/2011
25 de julho - Dia Internacional da Mulher Negra
Ser mulher negra significa muitas coisas diferentes, uma vez que somos diferentes umas das outras: somos pessoas, indivíduos, portanto, únicas. Ainda assim, classificadas como um grupo, as mulheres negras, têm em comum fortes marcas decorrentes da existência do racismo, que cria um conceito e uma hierarquia de raça. E onde o que representamos como negras, é considerado inferior, discriminado e desqualificado. E há também a marca da desqualificação do sexo feminino estabelecida pelo sexismo, que traz também a noção de heterossexualidade compulsória condenando comportamentos sexuais diferentes. O que pode provocar outras formas de violência e discriminação que, quando voltadas paras mulheres homossexuais, são denominadas lesbofobia.
Neste mês de julho estamos reiniciando a divulgação da Newsletter da AMNB. A partir de hoje, periodicamente estaremos enviando a tod@s vocês artigos, notícias, eventos, posiconamentos, etc, com o objetivo de dar visibilidade a nossas ações e posicionamentos frente a conjuntura política atual. Nesta edição você encontrará as atividades que as organizações da AMNB estão realizando referente ao Dia Internacional da Mulher Negra Afro-Latinoamericana e Caribenha. Assim destacamos o 25 de julho nesta primeira edição. Esta data foi definida por ocasião do I Encontro de Mulheres Negras Latino-americanas e Caribenhas, na Republica Dominicana em 1992 para chamar a atenção das condições de opressão de gênero e raça a que as mulheres negras são submetidas em conseqüência do racismo que é o principal fator de produção das desigualdades, e o enfrentamento deste é fundamental e prioritário na agenda da AMNB.
Bamidelê – PB
10 anos de Fundação! Como parte das comemorações dos 10 anos de Fundação a organização preparou uma agenda repleta de atividades na semana do Dia 25 de julho com inicio no dia 27 de julho às 13:00 no Solar dos Conselheiros, Centro , João Pessoa - PB
Mais informações no site: www.bamidele.org.br
Rede de Mulheres Negras do PR
Na programação do Dia da Mulher Negra da América Latino e do Caribe – a rede fará uma Roda de Conversa sobre a importância das mulheres negras na implementação das políticas públicas para as mulheres. O evento ocorrerá no dia 23 de julho das 13:30 as 16:30 Sede do Grupo Dignidade - Av. Marechal Floriano, 366 - cj43 - Curitiba/PR
CONAQ
O IV Encontro Nacional das Comunidades Quilombolas: CONAQ 15 anos de luta e nenhum direito a menos acontece na cidade do Rio de Janeiro/RJ entre os dias 03 e 06 de agosto a partir das 18h.
Mais informações: www.conaq.org.br
II Seminário da Mulher Afro-Latinoamericana e Caribenha
Com inicio nesta sexta 22/07 até 25/07 o seminário promovido pela CONE contará com a participação de Jurema Werneck (CRIOLA) e Nilza Iraci (Geledés) em sua programação, que abordarão temas da agenda politica das mulheres negras. O evento correrá no auditório da Secretaria Estadual de Justiça – Páteo do Colégio - São Paulo/SP Mais informações:
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/participacao_parceria/coordenadorias/cone/noticias/?p=30387
A AMNB convoca a todas e todos comprometidos com um país verdadeiramente justo, para que seja incluída, a adesão ao abaixo assinado que inclua, na Comissão Nacional da Verdade, a verdade histórica sobre a violação dos direitos humanos da população negra. Apresentado pelo Poder Executivo, o PL 7376/10, prevê a criação, no âmbito da Presidência da República, da Comissão da Verdade com o propósito de “examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período” de 1946 a 1988, “a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”. 
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N12586
Rede das Mulheres de Terreiro de Pernambuco www.mulheresdeterreirope.com.br
Mapa da Intolerância Religiosa www.mapadaintolerancia.com.br
Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas http://generoracaetniaparajornalistas.wordpress.com/
 
Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras nasceu no contexto da III Conferência Mundial contra o Racismo, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas ocorridas em Durban, na África do Sul, no ano de 2001. Promover a ação política articulada de ONGs de mulheres negras brasileiras, na luta contra o racismo, o sexismo, a opressão de classe, a lesbofobia e outras formas de discriminação, contribuindo para a transformação das relações de poder e construção de uma sociedade equânime tem sido a missão da AMNB que pós conferência se transformou em um dos principais grupo de ação política da América Latina.

Escravidão de negros na Mauritania em pleno século 21


O Brasil foi o último país da América ou do mundo Ocidental a abolir a escravidão, mas por incrível que possa parecer para alguns hoje em dia ainda existem escravidão  em algumas partes do mundo como, por exemplo, na Mauritânia.


Leia a seguir um artigo de Elinor Burkett publicado no jornal "O estado de São Paulo" sobre uma ex- escrava:


A foto em questão não corresponde a escrava do texto

Escrava Fatma nem imagina o que é liberdade

Perguntem a fatma Mint Mamadou quantos anos tem. A mulher mauritana baixara timidamente os olhos ela não sabe quando nasceu. Perguntem-lhe quantos camelos e ovelhas apascentava, ou quanta bolsa de água carregava por dia. Seu rosto ficara parado e insensível como uma pedra. Ela não sabe contar.Perguntem se ela e outras meninas que com ela cresceram num povoado da afastada região de Bratna foram alguma vez estupradas. Ela ficará toda embaraçada e suas feições se tornaram duras. Finalmente, Fatma responde como se fosse a coisa mais normal do mundo: "Naturalmente, eles costumavam vir de noite quando precisavam fazer a gente reproduzir. É isso que vocês chamam de estupro?Fatma está acocorada á porta de seu minúsculo barraco e responde obedientemente as poucas perguntas que para ela têm algum sentido. Mas não percebe o contexto. Nunca leu um jornal diz que ouviu falar nos Estados Unidos, mas não sabe o que é nem onde ficaDurante as horas da entrevista ela parece refugiar-se numa coisa que conhece: a água trazida por um visitante, que ela esquenta num fogareiro de querosene emprestado por um vizinho e derrama sobre folhas de hortelã, adicionando depois cuidadosamente uma medida de açúcar de um saquinho plástico que também lhe deram. Servir chá é uma coisa que ela sabe fazer.Outras são carregar água, bater o sorgo, cuidar de camelos.Nessa parte da África servir chá é coisa de escravo ─ e Fatma foi outrora uma escrava. A jovem silenciosa não usa muito a palavra escrava. Quando o faz, é com indiferença no mesmo tom que usa para explicar que tem dois irmãos ou que nunca conheceu o pai. Ela sabe que era "adb" ─ uma escrava─, como sabe que sua mãe foi herdade por Sidi M'Hamed Ould Hamadi, quando o antigo senhor dela morreu.Mas essa condição não é mais notável para ela do que o rico bronzeado de sua pele ou as suaves curvas de seus seios.Na região de Bratna, uma província escassamente povoada da Mauritânia Central, ser negro quase sempre significa ser abd, mas esse fato quase não parece chamar a atenção dos estrangeiros brancos. A mãe de Fatma era abd, como sua avó. Ninguém na família se lembra de ter algum dia vivido sem servir aos árabes que dominam o país.

"Deus criou-me para ser escrava exatamente como criou um camelo para ser camelo"Fatma, criada para obedecer ─ carregar água, cuidar de animais, cozinhar, varrer e reproduzir ─, não manifesta nenhuma vontade de resistir ir contra a história ou contra a dura paisagem.Na República Islâmica da Mauritânia a escravidão, decididamente, não é moderna. O governo garante ter abolido a escravidão humana. Se isso aconteceu, a Mauritânia foi a última nação do planeta a tomar tal decisão.Entretanto, nas intermináveis extensões desérticas açoitadas pelos ventos, entre o Senegal e Marrocos, cerca de 90 mil escravos trabalham duramente, como inúmeras gerações vêm fazendo há mais de quinhentos anos, a serviço de seus senhores, pastoreando seus rebanhos, sangrando suas acácias para fará fazer a goma arábica, colhendo tâmaras e reproduzindo a nova geração de propriedades humanas.Enquanto despontam em outras regiões casos ocasionais d escravidão ─ venda de crianças no Benim, escravidão forçada de não mulçumanos no Sudão ─, somente na Mauritânia a escravidão generalizada, institucionalizada persistiu até fins do século xx.Aqui os escravos, descendentes de gerações de "propriedades" humanas, não recebem salário nem nenhum tipo de educação. Não podem se casar sem autorização ou planejar o futuro dos filhos.(Extraído e adaptado de artigo de Elinor Burkett, publicado no jornal O estado de São Paulo, 22 nov. 1997.) OBS: Este artigo é do ano de 1997, mas ainda hoje existe escravidão de Negros na Mauritânia.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cumprimento e Merecimentos




A Secretaria Municipal de Reparação (Semur) homenageará no dia 28 de julho, às 8h30, no Auditório da Câmara de Vereadores, mulheres negras da cidade de Salvador. A cerimônia faz parte das comemorações pelo Dia Municipal da Mulher Negra, 25 de julho, instituído pelo prefeito João Henrique através da Lei 7.440/2008.

Edialeda-Nascimento_e_Afonso-Celso-Monteiro_foto-SergioCaldieri_2009

























No evento, denominado Prêmio Dra. Edialeda Salgado, uma homenagem à primeira mulher negra a ocupar uma Secretaria de Estado no Brasil e que sempre lutou em prol dos direitos das mulheres negras, serão homenageadas, este ano, mulheres que se auto declaram negras, trabalhadoras do mercado de trabalho ocupado por um público masculino, da cidade de Salvador.

Esta premiação tem como objetivo estimular a autoestima através da valorização da estética negra, reconhecer os desafios das mulheres negras trabalhadoras do mercado de trabalho que historicamente foi ocupado por um público masculino, dar visibilidade as conquistas profissionais das mulheres negras da cidade de Salvador e incentivar outras mulheres a lutar e conquistar espaços diferenciados na sociedade soteropolitana.

O Prêmio Dra. Edialeda Salgado 2011 tem como tema MULHER NEGRA: DESAFIOS NO MERCADO DE TRABALHO e tem como parceiros a Superintendência Municipal de Políticas para as Mulheres – SPM, a Força Sindical, o SINTEPAV/Bahia, a Câmara Municipal, a Vereadora Tia Eron e a Loja Maçônica Filhos de Salomão.


A Secretaria Municipal da Reparação em atendimento ao que preconiza seu regimento no que tange à “articulação com instituições para realização de atividades estratégicas, tendo como motivação temática a diversidade: gênero, raça, etnias, geracional, homofobia e xenofobia”, e em conformidade com seu plano estratégico anual tem dentre outros compromissos, trabalhar a auto-estima das mulheres negras dessa cidade.

Durante o I Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1992, o dia 25 de julho foi instituído como marco internacional da luta e resistência da mulher negra. Desde então, vários setores da sociedade civil e governamental têm atuado para consolidar e dar visibilidade a esta data levando em consideração à opressão de gênero, raça e etnia vivida pelas mulheres negras latino-americanas e caribenhas.

Segundo o PNAD/2007 – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - as mulheres representam 52,4% da população da Região Metropolitana de Salvador (RMS). Dentre estas, aproximadamente 81,9% são pretas e pardas. Aplicando esses percentuais, pertinentes à RMS, para a população estimada do Município de Salvador, temos atualmente 1.545.137 mulheres residentes em Salvador, das quais cerca de 1.273.193 são negras.

A Região Metropolitana de Salvador é recordista em proporção de mulheres que chefiam famílias, segundo dados da última PNAD/2008, realizada pelo IBGE.  As regiões mais pobres também são as que tem maior proporção de mulheres a frente de domicílios”, avalia Joílson Rodrigues, chefe do setor de informação do IBGE/BA.

Entretanto esse público tem resistido a todos esses obstáculos, rompendo barreiras e quebrando estereótipos que são impostos por uma sociedade racista e sexista, conquistando, assim, cargos de maior qualificação e ascensão social. É  justo e necessário, então, a realização de uma atividade que eleve sua autoestima, que reafirme sua beleza e a reconheça sua luta como forma de estimular e valorizar suas conquistas.

Att,

Daniela Passos

ASCOM/SEMUR

4009-2691

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Rio de Janeiro abrigará museu em homenagem ao Almirante Negro


Fotomontagem: Daiane Souza/FCP

Passados 131 anos do nascimento de João Cândido Felisberto, o Almirante Negro que lutou pelo fim dos castigos corporais no início do século XX e pela melhoria das condições de trabalho na Marinha terá em sua homenagem um museu na cidade fluminense de São João do Meriti, onde viveu seus últimos anos.
O presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, reuniu-se hoje (12) com o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), José do Nascimento Júnior, e o prefeito do município de São João do Meriti, Sandro Matos, no Rio de Janeiro, para acompanhar o andamento do processo de implantação do museu e discutir algumas possibilidades de parcerias internas e externas.
“Este projeto vai aumentar o valor cultural da Baixada Fluminense e elevar a autoestima de sua população. Será o primeiro museu dedicado a este que é um dos maiores herois da história brasileira”, disse o presidente da Palmares.
Para a Fundação, é importante que a população brasileira reconheça a luta do homem que mudou o rumo da história da Marinha e da população negra brasileira ainda no período pós-escravocrata. Eloi Ferreira reforça que o museu será uma importante ferramenta para que a história deste heroi seja sempre lembrada. O acervo será doado pela família do marinheiro, pela Palmares e pela Marinha do Brasil.
O MUSEU – O memorial que abrigará o histórico da vida e luta do Almirante Negro tem custo estimado em R$ 2 milhões, apenas para um dos quatro edifícios que irá compor o complexo. A arquitetura do prédio principal remeterá a um navio sobre as águas. Dois outros espaços já existem, são casas do período colonial que serão restauradas. A área total do museu será de aproximadamente 700m2.
A prefeitura de São João do Meriti, responsável pela obra, prevê o início da construção para o mês de agosto. O presidente Eloi Ferreira afirma que o complexo será entregue o mais rápido possível.
ALMIRANTE NEGRO – Nascido em 24 de junho de 1880 em Encruzilhada, Rio Grande do Sul, João Cândido pertenceu a uma família de ex-escravos. Aos 13 anos apresentou-se na Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes no Arsenal de Guerra de Porto Alegre e em 1895 foi transferido para a Escola de Aprendizes de Porto Alegre. Em dezembro do mesmo ano, ingressou na Marinha de Guerra do Brasil.
Teve uma carreira extensa de viagens nacionais e por vários países do mundo nos 15 anos que pertenceu à instituição. Era o marinheiro mais experiente e respeitado pelos colegas e oficiais. Apesar disso, era contrário ao tratamento dado aos subalternos, penalidades que persistiam mesmo após as assinaturas da Lei Áurea, em 1888, e do Decreto n°3 do regime republicano, em 1889.
REFLEXO DA ESCRAVIDÃO – Os castigos a que os marinheiros brasileiros eram submetidos tinham características de tortura e a chibata como principal instrumento “disciplinar”. As penalidades se assemelhavam ao tratamento dado aos escravos pelos capatazes nas fazendas coloniais.
No documentário Cem Anos sem Chibata, produzido pela EBC – TV Brasil, o próprio Almirante Negro explica o significado do castigo da chibata: “Era uma corda intitulada linha de barca onde os carrascos colocavam agulhas e pregos. Nus da cintura para cima, os homens eram amarrados em um ferro, expostos e castigados brutalmente”. O registro realizado em 1968 foi a única gravação de voz do almirante.
Em 1910, João Cândido assistiu junto de outros marinheiros a aplicação da pena de 250 chibatadas a que foi condenado seu colega Marcelino Rodrigues Meneses. Liderada pelo Almirante Negro, a tripulação da embarcação Minas Gerais da Marinha se revoltou contra seu comandante e junto a ela se uniram as tripulações de outros três navios. O protesto que ficou conhecido como Revolta da Chibata tinha entre as reivindicações o fim dos maus-tratos psicológicos e das punições corporais, o aumento salarial, melhor alimentação e a anistia aos envolvidos.
Para Eloi Araujo, a principal conquista da rebelião foi o compromisso do governo da época em acabar com a chibata na Marinha. João Cândido foi preso e expulso da corporação ainda em 1910, sob a acusação de ter favorecido os rebeldes. Em 1912 foi libertado, porém só recebeu a anistia em 2008, 39 anos depois de seu falecimento.
MESTRE SALA DOS MARES – Na década de 1970 João Cândido e a Revolta da Chibata foram imortalizados na canção O mestre-sala dos mares composta por João Bosco e Aldir Blanc. Mesmo depois de morto, o Almirante Negro foi vítima do preconceito e da censura pela ditadura militar que naquela década não aceitou homenagem a um marinheiro que quebrou a hierarquia dos oficiais da Marinha.
Para mostrar ao país estas e outras histórias, o Museu João Cândido armazenará sob a forma de acervo as conquistas a partir da Revolta da Chibata e o passado do almirante que mudou os rumos da história do negro no Brasil e virou música:
Mestre sala dos mares
Por João Bosco e Aldir Blanc
Há muito tempo nas águas
Da guanabara
O dragão no mar reapareceu
Na figura de um bravo
Feiticeiro
A quem a história
Não esqueceu
*
Conhecido como
Navegante negro
Tinha a dignidade de um
Mestre-sala
E ao acenar pelo mar
Na alegria das regatas
Foi saudado no porto
Pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por
Batalhões de mulatas
*
Rubras cascatas jorravam
Das costas
Dos santos entre cantos
E chibatas
Inundando o coração
Do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro
Gritava então
*
Glória aos piratas,
Às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça,
Às baleias
*
Glórias a todas as lutas
Inglórias
Que através da
Nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais.