domingo, 27 de maio de 2012

TV Brasil exibe programa especial sobre quilombos


Na semana em que se comemora o Dia da África, o Programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, exibirá nesta quinta-feira (24), às 22h, o episódio “Quilombos-Luta e Resistência”.
O programa visitou comunidades rurais e urbanas da Bahia, do Maranhão e do Rio Grande do Sul para saber quais são os sonhos e desafios dos moradores dessas comunidades e como eles preservam suas culturas e tradições. Também apresentará o resultado do isolamento geográfico e cultural a que essas pessoas estiveram submetidas por dezenas de anos.
No Nordeste, região com maior número de Quilombos do país, encontram-se comunidades dominadas pelo tráfico de drogas e que agora dão sinais de recuperação. Do município de Cachoeira, na Bahia, vem o exemplo pioneiro do quilombo Caonge, que, por meio de um conselho de lideranças organizado, aumentou a renda das comunidades locais com o cultivo de mariscos, apicultura e artesanato.
Em Alcântara, no Maranhão, as lembranças dos tempos da escravidão estão nas ruínas, no pelourinho e nas inúmeras comunidades quilombolas que vivem na região. Ali, a luta pela terra e pelo reconhecimento do território envolve fazendeiros, grileiros e até o projeto da base espacial brasileira. Na fronteira sul do Brasil, o programa mostra como vaqueiros mesclam tradições gaúchas e africanas.
O programa começa logo após o Repórter Brasil. O episódio também pode ser conferido na página
http://tvbrasil.ebc.com.br/caminhosdareportagem/episodio/quilombos

terça-feira, 22 de maio de 2012

Teresina/PI: No dia 13 de maio, a homenagem é para os Pretos Velhos


Religiosos da Umbanda fazem festa de celebração e agradecimentos aos antepassados
Texto e fotos: Carmen Kemoly, correspondente do Correio Nagô no Piauí
Na noite de 13 de maio, no bairro Itaperu, zona norte de Teresina, aconteceu uma grande comemoração. Muitos poderiam lembrar esse dia como apenas o Dia das Mães, outros poderiam lembrar da Princesa Isabel assinando a Lei Áurea, mas para Pai Adilton e todos os seus convidados ela tinha um significado diferente. Era a Festa em homenagem aos Pretos Velhos, mas especificamente à Preta Velha Mãe Joana.
O Babalorixá Adilton Iansã coordena, há 33 anos, o “Ilê Oyá Tade”, uma Casa de culto e cultura afro-brasileira, local onde ocorreu a festa. O líder religioso garante que essa é uma das festas que ele procura fazer mais bonita, porque os Pretos Velhos, para ele, são reis e rainhas: “É a nossa chave, nossa abertura para fazer os trabalhos da Umbanda”, explica.

A comunidade da Umbanda credita que a Preta Velha Mãe Joana viveu em cativeiro, sofreu muito, mas teve uma elevação espiritual muito grande para poder fazer caridade. Para eles, Ela realizou curas e hoje procura ensinar e engrandecer o ser humano. A mãe de santo Toinha de Oxóssi fez o resgate: “Preto Velho é Umbanda, é o começo da nossa história, nossas origens vem daquele navio negreiro, dos negros. A festa de hoje tem um significado grande, porque respeito muito os Pretos Velhos, que são a sabedoria. Tudo que sabemos veio dos velhos, dos antepassados, dos avós”, diz a yalorixá.  
Marcos de Oxalá, um dos organizadores, disse que essa é uma festa de Umbanda bem conhecida no estado do Piauí e que Pai Adílton organiza praticamente tudo, desde a parte visual, material e decoração, com muita criatividade e procurando respeitar a homenageada, e o que realmente ela gosta. “Como hoje é uma festa de louvação, de homenagem, os filhos todos estão prontos, preparados para receber a entidade homenageada. Aí ela vem em determinado horário e será celebrada. Os filhos vão cantar, presentear, agradecer todas as graças obtidas. Hoje se louva toda aquela luta negra, toda aquela força, resistência, que foi realizada pelos antepassados e escolhida essa data dentro da Umbanda porque simboliza a luta diária”, ressalta.
A festa tinha um tom de luxuosidade e dedicação nos quatro cantos do terreiro, e o babalorixá não nega: “As pessoas até acham que eu coloco beleza demais, luxo demais, mas eu boto porque eu passo o que Eles são. O negro tem qualidades, tem sua cultura, e hoje é muito fácil ver como o negro é uma força grande. Aqui dentro do estado do Piauí, eu quis mostrar uma coisa diferente, eu quis mostrar a beleza que é um orixá, o que é um mensageiro. A gente procura trazer elementos feitos pela própria natureza, as águas, as folhas, as pedras. Nesta Casa, a gente busca mostrar o que tem de melhor”, destaca.
Mães - Especialmente neste 13 de maio de 2012, por ser Dia das Mães, a comemoração deu-se de maneira peculiar. Benedita Ricarda, mãe de santo, que é moradora da cidade vizinha, Timon, no Maranhão, alertou sobre a sintonia da data: “Não é só a mãe biológica que precisa ser homenageada hoje. A mãe de peito, a mãe de santo também, porque ela é como se fosse da família, procura entender seu problema, receber, aceitar e orientar a pessoa e ajudar na medida do possível, sem discriminação, pobre, rico ou feio. Nossa obrigação como mãe de santo é receber todos de uma forma só e ajudar no que estiver ao nosso alcance”. Além disso, a Mãe Isabel de Ogum, também presente na festa, afirma que os umbandistas, como cristãos, também não podem esquecer de Maria Santíssima, a geradora.
Consciência - A conscientização dentro do terreiro é constante, segundo Marcos de Oxalá, pois para ele não adianta estar num local sem saber a raiz que você carrega e valorizá-la. Pai Adilton também fala que o mais importante é estar dentro de sua comunidade fazendo trabalhos sociais. Tanto que a comunidade hoje é a primeira a defender a Casa e, mesmo alguns sendo de outras religiões, aceitam e respeitam, bem como costumam visitar sua Casa.
Em toda a festa havia o sentimento de recuperação de forças por meio do resgate dos antepassados para as lutas que ainda virão, como desabafou a Mãe Isabel de Ogum: “Ainda são tempos de lutar pela nossa liberdade. Liberdade de expressão, liberdade física. Existe muita escravidão ainda, não só psicológica, mas muitos massacres, pela fome, pela guerra, pelo trabalho escravo de menores. Hoje é um dia em que os Pretos Velhos vem dar um alento ao nosso sofrimento através dessa energia, nos dando força para continuar a luta, pois não podemos parar”, acredita a líder religiosa.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Palmares e Cadon farão a entrega do Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-brasileiras


Por Drielly Jardim 
Será entregue na próxima segunda-feira (7), às 19 horas, o 2º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras. A cerimônia será realizada no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, com a presença de representantes dos 20 projetos vencedores das cinco regiões do país. 
A premiação, que é uma iniciativa da Fundação Cultural Palmares (FCP) e do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves (Cadon), com o patrocínio da Petrobrás, será para dez trabalhos de artes visuais, cinco de dança e cinco de teatro. Serão entregues R$ 1,1 milhão em prêmios que devem ser utilizados na montagem e execução das produções culturais. 
O júri foi composto por nove especialistas nas diferentes expressões culturais, que analisaram a excelência artística, histórica e a efetiva contribuição para a cultura afro-brasileira; pertinência do conteúdo à questão brasileira, qualificação dos profissionais e viabilidade técnica de execução, com base no valor do prêmio. 
Para o diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira da FCP, Martvs das Chagas, o resultado destacou a diversidade do projeto: “O número de diferentes cidades que apresentaram projetos, indica o potencial de propagação da ação por todo o país. Prevaleceu a pluralidade dos projetos que representaram as diversas regiões do Brasil. Parabenizo a todos os participantes que, com certeza, contribuem para afirmação da cultura afro-brasileira”, destaca. 
A presidente do Cadon, Ruth Pinheiro, afirma que o prêmio valoriza a cultura afrodescendente em suas manifestações contemporâneas: “A diversidade de projetos concorrentes demonstra a vitalidade da cultura afro-brasileira para além dos grandes centros. Ao contemplar todas as regiões do país, com julgamentos regionalizados, permite uma melhor igualdade das disputas e abre oportunidades para novas iniciativas”. 
Luis Nascimento, da gerência de patrocínios da Petrobrás, disse que esta é uma ação afirmativa que abrirá caminho para outros projetos da cultura negra: “Projetos como este contribuem para levar esta cultura para onde ela realmente merece e tem o poder de criar o hábito de se olhar positivamente para as iniciativas e pode contribuir para gerar outros projetos”. 
Os vencedores nas categorias dança e teatro serão contemplados com R$ 80 mil cada, já os vencedores de artes visuais receberão de R$ 20 mil a R$ 40 mil por projeto. 
Confira os ganhadores: 
Artes Visuais - “Ó que rua tão comprida”, do Rio Grande do Sul; “Vila das Oyas” e “Afro retrato”, de São Paulo; “Objeto/Oriki: corpus e habitus = arte”, de Minas Gerais; “Cavalo de santo”, do Rio de Janeiro; “Terra renascida – Novos olhares para a invernada dos negros”, do Rio Grande do Sul; “A gira” e “Mestre do coco pernambucano”, de Pernambuco; “Quilombos emigrantes – História do cocalinho”, de Tocantis e “Processos do silêncio”, da Bahia. 
Dança - “Aratemiolé”, de Santa Catarina; “Terreiro contemporâneo de dança 2ª edição”, de Minas Gerais; “Festival de danças poéticas negra”, de Goiás; “Quilombo Mimbó”, do Piauí; e “Catirandê – A dança afro do Tocantins”, de Tocantis. 
Teatro - “Quilombo dos Silva: As memórias da negra resistência urbana em um espetáculo teatral”, do Rio Grande do Sul; “Abolição”, de Minas Gerais; “Mães negras – Teatro das Oprimidas”, de Goiás; “Casemiro Côco em lendas emaranhadas”, do Maranhão; e “O grito e os espíritos da terra – Da era cantida aos dias atuais”, do Pará. 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Ayabas - Instituto da Mulher Negra do Piauí lança o Projeto SANKOFA: imagens e resistência da mulher negra



AYABÁS LANÇA PROJETO SANKOFA

Acontece na próxima segunda-feira, dia 30 de abril, no Memorial Zumbi dos Palmares, as 18:00 horas, o lançamento do Projeto SANKOFA , que tem com objetivo resgatar a memória da vida e história das “griôs” do movimento negro piauiense,através de escritos, fotografias e vídeos, proporcionando-as uma qualificação profissional nas técnicas de áudio e vídeo.
O Instituto da Mulher Negra do Piauí – AYABÁS é uma organização política de mulheres negras, que tem como principal objetivo a luta contra o racismo e o sexismo; a eliminação das desigualdades; a valorização, promoção e empoderamento das mulheres negras, e da comunidade negra em geral, e aposta no projeto como uma oportunidade de formação e qualificação das mulheres negras e levanta também como prioridade, o reconhecimento da história e memória das muitas mulheres piauienses, reconhecidas ou anônimas que contribuíram para o fortalecimento da identidade negra feminina e feminista, através de uma publicação.
Reunindo mulheres negras de várias áreas de atuação, o projeto tem como meta, ao final, contribuir para organização de uma entidade de jovens negras no estado.
O lançamento contará com a participação de representantes de várias organizações do movimento negro e demais movimentos sociais, autoridades e apoiadores do projeto.
A programação consta de apresentação cultural, lançamento oficial do projeto, com apresentação dos objetivos e metas, e coquetel.
Para a Presidente do AYABÁS, Haldaci Regina, “este é um momento muito importante, onde o Instituto acredita que o empoderamento das mulheres negras passa pela formação, pela qualificação, pelo aumento da sua autoestima e, sobretudo por oportunidades de reconhecimento e valorização do seu potencial enquanto protagonistas de sua história”. Halda  afirma ainda, que o AYABÁS  se coloca no cenário piauiense com o papel de contribuir com a organização das mulheres negras e contribuir para ampliação das políticas e direitos dessas mulheres.
O Memorial Zumbi dos Palmares fica situado na Av. Miguel Rosa, s/n próximo a Pax União.


STF aprova por unanimidade a política de cotas raciais



Denise Porfírio/FCP

Por Daiane Souza
O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou nesta quinta-feira (26) a constitucionalidade do sistema de cotas raciais adotado pelas universidades públicas brasileiras. O julgamento teve como resultado a conclusão unânime dos 10 ministros da mais alta corte do país quanto à improcedência da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186, proposta pelo Partido Democratas (DEM).
O partido considera que o sistema viola a Constituição Federal por determinar critérios de seleção com base na raça para o ingresso, especificamente de negros, na educação superior. Primeiro a votar na segunda sessão do julgamento iniciado na quarta-feira (25), o ministro Luiz Fux acompanhou o voto do relator Ricardo Lewandowski, favorável a constitucionalidade da ação afirmativa.
Equidade – De acordo com Fux, a opressão racial dos séculos da sociedade escravocrata deixou cicatrizes com graus alarmantes no país, especialmente no que diz respeito à educação. Segundo ele, o sistema de cotas não configura um ato discriminatório. “É uma classificação benigna que visa fins sociais louváveis”, disse. “Uma coisa é vetar a discriminação, outra é possibilitar a integração dos que a sofrem ao seu lugar de direito na sociedade”, completou.
Em sua avaliação, a ministra Rosa Weber afirmou que a disparidade no país é flagrante. “A pobreza tem cor no Brasil”, disse. Ela alertou que dos 10% mais pobres da população, 75% são pretos e pardos. “Por estes e outros dados, faz parte do papel do Estado pelo menos equilibrar as desigualdades completas e solucionar as desigualdades sociais”, ressaltou.
Universidade modelo – A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186 foi protocolada contra o sistema de cotas da Universidade de Brasília (UnB), primeira instituição federal a instituir o programa em 2004. Com a sua metodologia aprovada, o modelo da Universidade será referência para normatizar a aplicação das ações afirmativas em todo o país.
“Com a decisão do Supremo o projeto emancipatório da UnB a faz entrar mais uma vez para a história com uma postura inovadora que é própria da instituição”, reconheceu o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Júnior. “O sistema de cotas deve ser considerado completo, pois é plural, democrático e aumenta as chances de participação do negro nos melhores espaços da sociedade”, ressaltou a ministra Rosa Weber.
Já para Carmem Lúcia e os demais ministros que acompanharam o voto de Lewandowski, as ações afirmativas não são as melhores opções para se reparar consequências de mais de um século a partir da abolição da escravidão. “Porém fazem parte de um processo diante de um quadro onde a liberdade e a igualdade de oportunidades não aconteceu naturalmente”, enfatizou a ministra.
De acordo com a corte o sistema de cotas se faz necessário, mas somente até que seja alcançado o resultado esperado que é a igualdade de oportunidades e de participação nos produtos do progresso visando um país racialmente democrático.
Para Eloi Ferreira de Araujo, presidente da Fundação Cultural Palmares, os contornos históricos da votação levam ao instante que precedeu a assinatura da Lei Áurea. “Ela veio desacompanhada das possibilidades reais para emancipação da população negra brasileira. Sinto que tivemos o fim da escravidão somente agora com o direito à educação”, disse. “Agora falta viabilisar aos quilombolas, o direito à terra”, afirmou referindo-se ao Decreto 4887/2003 a ser julgado pelo Supremo.

Spike Lee entrevista a Ministra da Igualdade Racial Luiza Bairros para documentário “Go Bazil Go!”


O cineasta está no Brasil desde terça-feira (24), capturando imagens para projeto audiovisual sobre o país
Spike Lee entrevista a Ministra da Igualdade Racial Luiza Bairros para documentário “Go Bazil Go!”
A conversa com a ministra foi pautada em desigualdades raciais do país e avanços alcançados na área

Ícone do cinema afro-americano, o cineasta estadunidense Spike Lee entrevistou hoje (26) a Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros. Diretor, produtor e roteirista, Spike está no Brasil desde a última terça-feira, capturando imagens e participações de várias personalidades para o seu documentário “Go Brazil Go!”. A conversa com a ministra foi pautada em questões relativas às desigualdades raciais do país e nos avanços alcançados na área.

Além da ministra Luiza Bairros, estão na lista de entrevistados a presidenta Dilma Rousseff; os deputados federais Luiz Alberto e Romário; os cantores Gilberto Gil, Jorge Ben Jor e Chico Buarque; e o ex-jogador de futebol Pelé. O documentário, que fala sobre a emergência do país no cenário internacional, deve ser lançado antes da Copa do Mundo Fifa 2014.

Spike Lee se destaca na indústria cinematográfica pela abordagem da temática racial. A ele se atribui a abertura de portas em Hollywood para uma conscientização sobre os problemas sociais dos Estados Unidos.

O cineasta já esteve no Brasil para filmar o clipe “They Don’t Care About Us”, de Michael Jackson, no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, e no Pelourinho, em Salvador, com o Olodum. Em 1989, conseguiu reproduzir com maior fidelidade a sua visão do cotidiano das minorias com o filme “Do the Right Thing” (Faça a Coisa Certa), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar por melhor roteiro original

Alexandre Pires é convocado a prestar esclarecimentos ao MP sobre vídeo acusado de conteúdo racista e sexista


Decisão do MP atendeu a solicitação de providências da Ouvidoria da Seppir, que acatou denúncias de diversas entidades sobre o vídeo que compara pessoas negras a macacos

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento administrativo na Procuradoria da República, em Uberlândia, Minas Gerais, para que o cantor Alexandre Pires preste esclarecimentos sobre o vídeo Kong, denunciado por exibir conteúdo racista e sexista. A convocação do artista foi motivada por solicitação de providências encaminhada pela Ouvidoria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) ao MPF.



Além do Ministério Público, o órgão oficiou a gravadora Sony Music, o Departamento de Polícia Federal e a Ouvidoria da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). Esta última, em função da exposição de mulheres na peça publicitária, reforçando o estereótipo de símbolo sexual.

De acordo com o Ouvidor da Seppir, Carlos Alberto Júnior, o MP foi acionado em função de denúncias oriundas de várias entidades entre as quais o Observatório do Racismo Virtual, que acusa a postagem do vídeo no site youtube, com “conteúdo racista e sexista, comprometendo as lutas do movimento negro na superação do racismo, e das mulheres na superação do sexismo. Combinando artistas e atletas, o vídeo utiliza clichês e estereótipos contra a população negra”.

Em sua argumentação, o ouvidor da Seppir observa: “ao expor pessoas negras vestidas de “macaco”, o referido cantor contribui para a permanência histórica do racismo e práticas eugenistas, de inferiorização da população negra, tendo em vista que a maioria das denúncias feitas à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial são ofensas às pessoas negras comparadas a “macacos”.

Devassa
Processo semelhante, envolvendo a cervejaria Devassa do Grupo Schincariol, foi arquivado recentemente, após o cumprimento de determinações do MP pela empresa. Além da realização de seminários para discutir formas de solucionar o conflito configurado nas propagandas de cerveja e os direitos das mulheres, a Schincariol foi condenada a pagar multa e divulgar contrapropaganda por prática de campanhas publicitárias discriminatórias.

A peça que originou a reclamação contra a Devassa utilizava uma frase associando a imagem de uma mulher negra à cerveja, reforçando o processo de racismo e discriminação a que as mulheres negras estão submetidas historicamente no Brasil. O processo foi encaminhado pela SEPPIR, que cumpriu os acordos internacionais de violações aos direitos das mulheres, a partir das denúncias referentes à propaganda que divulgava a frase: "É pelo corpo que se reconhece a verdadeira negra. Devassa negra encorpada. Estilo dark ale de alta fermentação. Cremosa com aroma de malte torrado".

De acordo com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), as infrações cometidas no anúncio da Devassa encontravam-se previstas em inúmeros artigos do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.