sábado, 8 de junho de 2013

Mandela volta a ser internado na África do Sul

south africa mandela fran
Quadro do ex-presidente sul-africano é grave, mas estável, diz governo.
O prêmio Nobel da Paz está com 94 anos e com infecção pulmonar.

O ex-presidente da África do Sul e prêmio Nobel da Paz, Nelson Mandela, de 94 anos, foi internado em estado grave neste sábado (8) em um hospital de Pretória. Com infecção pulmonar, o quadro dele é estável, informou o governo.
“Esta madrugada, à1h30, seu estado se deteriorou e ele foi levado a um hospital de Pretória. Segue em estado grave, mas estável”, informou em nota a assessoria do presidente sul-africano Jacob Zuma.
A internação de Mandela é a segunda em dois meses.

Fonte: G1

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Novelas brasileiras passam imagem de país branco, critica escritora moçambicana

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

Brasília - "Temos medo do Brasil." Foi com um desabafo inesperado que a romancista moçambicana Paulina Chiziane chamou a atenção do público do seminário A Literatura Africana Contemporânea, que integra a programação da 1ª Bienal do Livro e da Leitura, em Brasília (DF). Ela se referia aos efeitos da presença, em Moçambique, de igrejas e templos brasileiros e de produtos culturais como as telenovelas que transmitem, na opinião dela, uma falsa imagem do país.
"Para nós, moçambicanos, a imagem do Brasil é a de um país branco ou, no máximo, mestiço. O único negro brasileiro bem-sucedido que reconhecemos como tal é o Pelé. Nas telenovelas, que são as responsáveis por definir a imagem que temos do Brasil, só vemos negros como carregadores ou como empregados domésticos. No topo [da representação social] estão os brancos. Esta é a imagem que o Brasil está vendendo ao mundo", criticou a autora, destacando que essas representações contribuem para perpetuar as desigualdades raciais e sociais existentes em seu país.
"De tanto ver nas novelas o branco mandando e o negro varrendo e carregando, o moçambicano passa a ver tal situação como aparentemente normal", sustenta Paulina, apontando para a mesma organização social em seu país.  
A presença de igrejas brasileiras em território moçambicano também tem impactos negativos na cultura do país, na avaliação da escritora. "Quando uma ou várias igrejas chegam e nos dizem que nossa maneira de crer não é correta, que a melhor crença é a que elas trazem, isso significa destruir uma identidade cultural. Não há o respeito às crenças locais. Na cultura africana, um curandeiro é não apenas o médico tradicional, mas também o detentor de parte da história e da cultura popular", detacou Paulina, criticando os governos dos dois países que permitem a intervenção dessas instituições.
Primeira mulher a publicar um livro em Moçambique, Paulina procura fugir de estereótipos em sua obra, principalmente, os que limitam a mulher ao papel de dependente, incapaz de pensar por si só, condicionada a apenas servir.
"Gosto muito dos poetas de meu país, mas nunca encontrei na literatura que os homens escrevem o perfil de uma mulher inteira. É sempre a boca, as pernas, um único aspecto. Nunca a sabedoria infinita que provém das mulheres", disse Paulina, lembrando que, até a colonização europeia, cabia às mulheres desempenhar a função narrativa e de transmitir o conhecimento.  
"Antes do colonialismo, a arte e a literatura eram femininas. Cabia às mulheres contar as histórias e, assim, socializar as crianças. Com o sistema colonial e o emprego do sistema de educação imperial, os homens passam a aprender a escrever e a contar as histórias. Por isso mesmo, ainda hoje, em Moçambique, há poucas mulheres escritoras", disse Paulina.
"Mesmo independentes [a partir de 1975], passamos a escrever a partir da educação europeia que havíamos recebido, levando os estereótipos e preconceitos que nos foram transmitidos. A sabedoria africana propriamente dita, a que é conhecida pelas mulheres, continua excluída. Isso para não dizer que mais da metade da população moçambicana não fala português e poucos são os autores que escrevem em outras línguas moçambicanas", disse Paulina.
Durante a bienal, foi relançado o livro Niketche, uma história de poligamia, de autoria da escritora moçambicana.


Edição: Lílian Beraldo

Sob camadas de invisibilidade, o racismo mata

O senhor BENEDITO SANTANA OLIVEIRA ESTÁ MORTO. Sua estória, entre tantas, é sobre o tratamento desumano dispensado às vítimas de racismo. Sobre o esforço para que o preconceito não seja classificado como invenção, exagero ou alucinação coletiva. Sobre um dos aspectos mais cruéis desse sistema de coisas de coisas invisíveis que segregam e matam como num pesadelo da vida real.
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O RACISMO MATA
Benedito Santana Oliveira será enterrado no Cemitério São João Batista em Rio Claro hoje pela manhã, na mesma hoar em que esse post é publicado. Deixa viúva e cinco filhos. Era paulista, negro, guardador de carros. Certamente conheceu a discriminação muito intimamente. Ainda nos meses que antecederam sua morte. O assassinato desse senhor de 71 anos, além de racismo, foi igualmente motivado por preconceito geográfico e de classe.
O delegado Marcus Vinícius Sebastião confirma que Axel Leonardo Ramos, um dos agressores, pertence à extrema direita organizada. Sua prisão preventiva foi negada duas vezes a despeito de seu envolvimento em um ataque a um jovem punk. O juiz entendeu que não existiam provas apesar de inúmeras evidências inequívocas. Há a suspeita de que o provável co-autor, Hélcio Alves Carvalho, também. Uma terceira pessoa ainda se encontra foragida.
Testemunhas revelaram que os autores fizeram questão de declarar que "paulistas são todos burros", "os pobres tinham que morrer" e que "não gostavam de negros e velhos". O racismo mata para vida, mata em vida. Socos, chutes e pontapés na cabeça do idoso já desacordado resultaram em traumatismo craniano, dias de internação, sofrimento familiar. Felizmente, dessa vez o juiz responsável pelo caso acatou o pedido de prisão preventiva dos acusados.
A PRIMEIRA REGRA SOBRE A DISCRIMINAÇÃO RACIAL
Malgrado sua gravidade, o ataque foi descrito como lesão corporal grave (pena de reclusão, de um a cinco anos) e não tentativa de homicídio (pena de reclusão de até 30 anos, quando qualificado). Impressiona não apenas pelo racismo que originou tamanha violência mas por aquele que impediu a correta descrição da atrocidade. O crime que não se consumou imeditamente dada a resistência de uma segunda vítima mais jovem.
O racismo mata porém muito frequentemente é considerado coisa menor, um detalhezinho. É o acontece toda vez que a discriminação deixa de ser o crime inafiançável que é, vira uma simples ofensa racial. Um detalhe técnico sobre o qual pouco se fala, ferramenta que não falha em favorecer o agressor. A quem se encontra em posição de fragilidade resta o ônus da prova. E mesmo que um conjunto sólido de evidências seja reunido, não há garantias.
Esse é o pior tratamento que se pode dispensar a uma pessoa que sofre ou sofreu por causa do racismo. A única certeza é que sempre vai aparecer alguém que se preste ao trabalho. Que fará questão de desqualificar seu sofrimento. Para essas pessoas a primeira regra sobre a discriminação é que os discriminados não deveriam falar sobre ela. Eles simplesmente não querem ouvir.
A PELE ESCURA SOB CAMADAS DE INVISIBILIDADE
Porém, há aspectos ainda mais repugnantes nesse filme de terror onde o racismo mata com extrema rapidez. Uma semana após receber alta, o idoso precisou ser internado novamente. Tinha peunomia, infecção urinária, respirava por aparelhos. Ainda assim, teve de esperar pela liberação de uma vaga numa unidade de terapia intensiva. O racismo se manifestava novamente, dessa vez através da desigual distribuição dos serviços de saúde.
Pobre, negro e velho, se tornou dispensável e incômodo demais. Sobreviveu por muito tempo. Vítima de crime inafiançavel, não teve sequer a oportunidade de ver o racismo que o vitimou ser caracterizado como tal, o atentado ser devidamente reconhecido. Em nenhum momento foi acolhido como deveria ter sido. Mais uma vez, o racismo matou sob diversas camadas de invisibilidade. Assim, à luz do dia. E quase ninguém viu.
O mínimo que a gente deve fazer é não esquecer.
Por : Charô Lastra

Fonte: Oneiro Phanta

Brasil e mais 5 países assinam convenção sobre racismo da OEA

logo OEA
Antígua e Barbuda, Argentina, Brasil, Costa Rica, Equador e Uruguai se tornaram na quinta-feira os primeiros signatários de duas convenções sobre o racismo aprovadas na Assembleia Geral da OEA. Os delegados dos seis países assinaram a Convenção Interamericana contra o racismo, a discriminação racial e formas conexas de intolerância, assim como a Convenção Interamericana contra toda forma de discriminação e intolerância.
Para que as convenções entrem em vigor precisam ser ratificadas pelos congressos de dois países signatários. Os dois instrumentos foram aprovados na quarta-feira, depois de oito anos de negociações na Organização dos Estados Americanos (OEA), lideradas pelo Brasil.


Fonte: Terra

quinta-feira, 6 de junho de 2013

MULHERES NEGRAS DO PIAUÍ DISCUTEM SOBRE POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE E OS DESAFIOS PARA SUPERAÇÃO DAS DESIGUALDADES DE GÊNERO E RAÇA.



O Instituto da Mulher Negra do Piauí – AYABÁS realizou no ultimo fim de semana, o I SEMINÁRIO ESTADUAL DE MULHERES NEGRAS E SAÚDE, com a participação de mulheres negras das mais diversas regiões do Estado e com convidadas de outros Estados. O evento foi uma parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí - SESAPI e contou com o apoio de outras organizações como Coordenadoria Ecumênica de Serviço /CESE , Steve BIKO, Instituto Mídia Étnica, SEMTCAS, SASC, SEMEC, SEMEST, SEDUC  e FUNDAC.
Com o objetivo de discutir a saúde da mulher negra e as políticas públicas no Piauí que atendam a demanda existente nessa área, o evento foi também um momento de oportunizar um intercambio entre as várias organizações negras do Estado e de discutir as questões étnico-raciais com recorte de gênero, apontando avanços, dificuldades e desafios no processo de articulação dessas mulheres negras. Ao final, discutiram-se a constituição de uma Rede de Mulheres Negras do Piauí, que possa descentralizar discussões e ampliar sua organização de forma a efetivar ações da pauta feminista que contribuam para autonomia política, econômica e social das mulheres negras piauienses.
Para a Presidenta em exercício, do AYABÁS, Professora Haldaci Regina o Seminário “é um momento importante para reconhecimento das mulheres negras no Piauí e para o levantamento do quadro de necessidades e desafios que leva a articulação de uma Rede de Mulheres Negras no Estado”.
O evento deve a participações dos municípios de Floriano, Parnaíba, Amarante, Esperantina, Queimada Nova, Altos, Campo Maior, Batalha, Paquetá, São Raimundo Nonato, São João do Piauí, Castelo do Piauí, Campinas do Piauí (Salinas) e Teresina, com um número maior de representações das entidades de mulheres e Instituições Governamentais.
O Seminário também contou com a presença de uma representante da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial-SEPPIR/PR, Mônica Oliveira, e representações do Centro de Cultura Negra do Maranhão-CCN, Gisele Padilha, Grupo de Mulheres Mãe Andreza (MA), CEDENPA (PA), Maria Luiza, Sintepp/PA, Lucilene Moitinho.   O movimento de mulheres negras da Bahia foi representado pela coordenadora do Programa de Saúde do Odara – Instituto da Mulher negra/Rede de Mulheres Negras do Nordeste, Emanuelle Góes.



O encerramento do I Seminário Estadual de Mulheres Negras e Saúde teve como pauta principal a aprovação de uma Carta com o resultado das discussões feitas e as principais demandas, que deverá ser encaminhada posteriormente às autoridades competentes, bem como, a Criação da Rede Estadual de Mulheres Negras do Piauí. 





















terça-feira, 28 de maio de 2013

O PRIMEIRO CONCURSO DE BELEZA NEGRA DA HISTÓRIA

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail:walterpassos@gmail.com

É fundamental nos estudos afrocêntricos compreender o continente africano e asiático como uma continuidade geográfica (de fato, até a construção do moderno Canal de Suez, em 1869) é indispensável para reafirmação da verdadeira história e dinâmicas sociais. Afirmar também que toda essa extensão geográfica constituía a dinâmica de populações preta: suas civilizações, relações comerciais, religiões, conflitos, e principalmente o reflexo do modo africano de viver em sociedade.
Esse artigo versará regiões e pessoas de origem africana, incontestavelmente pessoas pretas, que formaram incríveis civilizações por acinte omitidas pela história eurocêntrica, embranquecida.
O fato histórico a ser descrito ocorreu entre 485 a 465 a.C (antes do nascimento de Yeshua, o Messias) e têm encontrado no Livro de Esther alguns de seus principais personagens:
1-E sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a Índia até Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias,
2- Que, assentando-se o rei Assuero no trono do seu reino, que estava na fortaleza de Susã.
Xerxes I (خشایارشا) foi um rei persa (reinou de 485 a 465 a.C), da dinastia aquemênida. "Xerxes" é tentativa na língua grega de soletrar o nome persa Khshayarsha. Na Bíblia Xerxes I é conhecido como Assuero.
Xerxes I (Assuero) e Rodrigo Santoro No filme “300”, mais uma vez o cinema nega a negritude das personagens.

5- Havia então um homem judeu na fortaleza de Susã, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, homem benjamita,
6- Que fora transportado de Jerusalém, com os cativos que foram levados com Jeconias, rei de Judá, o qual transportara Nabucodonosor, rei de babilônia.
7- Este criara a Hadassa (que é Ester, filha de seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era jovem bela de presença e formosa; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha.

Então, temos duas personagens principais: Assuero e Hadassa, duas personagens negras atuando em uma cidade negra chamada Susã.
Antes de entrarmos no concurso de beleza negra iremos falar sobre as principais civilizações inseridas neste contexto histórico:

Os Elamitas

Gênesis 10:21-22 - A Sem, que foi o pai de todos os filhos de Eber e irmão mais velho de Jafé, a ele também nasceram filhos. Os filhos de Sem foram: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arão.Elão foi uma das mais antigas civilizações da Terra e teve como berço as antigas civilizações de Khemt (Egito) e de Cush, da mesma forma que os sumérios tiveram.
A civilização de Elão estava situada ao norte do Golfo Pérsico e do Rio Tigre, a leste da antiga Babilônia, onde hoje é o sudoeste do Irã e Iraque. Foram conhecidos como um povo belicoso que ameaçava a toda poderosa Babilônia. A civilização contou com um grande desenvolvimento em todas as áreas do conhecimento, tanto literário e quanto arquitetônico e escultural, produzindo ao mesmo tempo diversos utensílios de metais preciosos e muitos templos religiosos.
Os Elamitas se originaram no Vale do Nilo e fizeram parte das migrações africanas das pessoas dessa área, cerca de 8000 a.C a 5000 a.C. O estabelecimento do reino de Elão localizou-se onde os habitantes eram em sua maioria puramente pretos (nos termos antropológicos Negroide-Astraloid), da mesma escala das pessoas pretas que habitam o Sri-Lanka e o sul da Índia. Alguns dizem serem os Elamitas cushitas puro-sangue.


Herodotus e outros escritores gregos da casa de Memnon os descreviam como pessoas advindas da Etiópia (África), a terra dos pretos.
São descritos também como pessoas baixas e robustas de epiderme marrom, cabelos e olhos crespos e pretos, que habitaram uma considerável parte do continente asiático em tempos antigos, como se pode observar nas imagens por eles desenhadas.A capital do Reinado foi a cidade de Susã. Por este motivo também são conhecidos como Susianos. Algumas outras cidades também merecem destaque como Awan, Simash, Madaktu e Dur-Untash.
Cidade de Susã, capital do Império Elamita
Além da guerra, o comércio foi o centro das relações dos Elamitas, que comercializavam com todo o continente africano. Suas embarcações atravessavam o Tigre e o Eufrates e também o sudoeste africano, indo pelo Mar Vermelho.
Depois na história entrem 750 d.C a 450 d.C os Assírios invadiram militarmente os Elamitas e o dominaram saqueando quase completamente a região da Babilônia.
Observem o detalhe do cabelo crespo, a barba e o nariz tipicamente com traços Cushitas, africanos.

OS HEBREUSNão há duvidas sobre a negritude dos verdadeiros hebreus, apesar de hoje habitarem a terra prometida, pessoas caucasianas que não são os verdadeiros descendentes de Abrão, Isaque e Jacó. São os Askenazis convertidos a tradição dos hebreus, e em breve faremos um artigo especial sobre esse fato.
A arqueologia, o Primeiro Testamento e os hebreus pretos espalhados no continente africano e americano nos dão as provas consistentes da aparência de Hadassa, a mulher preta que venceu o primeiro concurso de Beleza negra realizado na cidade Susã.
Os relatos sobre a vida de Moisés no Primeiro Testamento atestam a sua negritude.
Obeliscos encontrados em escavações, que atualmente estão no Museu britânico:


Hebreus no cativeiro - Olhem os detalhes são pessoas pretas
O CONCURSO DE BELEZA NEGRA2-Então disseram os servos do rei, que lhe serviam: Busquem-se para o rei moças virgens e formosas.
3- E ponha o rei oficiais em todas as províncias do seu reino, que ajuntem a todas as moças virgens e formosas, na fortaleza de Susã, na casa das mulheres, aos cuidados de Hegai, camareiro do rei, guarda das mulheres, e dêem-se-lhes os seus enfeites.
4- E a moça que parecer bem aos olhos do rei, reine em lugar de Vasti. E isto pareceu bem aos olhos do rei, e ele assim fez.
O Império Persa possuía regiões que iam da Etiópia até a Índia, e de lá vieram dezenas de mulheres pretas, sendo escolhidas as mais belas e formosas, objetivando de se escolher a esposa do rei Assuero (Xerxes I). A beleza da mulher negra sempre foi ressaltada e louvada nos escritos da antiguidade, inclusive o preto Salomão, foi um admirador e apaixonado pelas mulheres originais - as mais belas do planeta. O seu amor pela Rainha Makeda ou Balkis do reino de Sabá, tornou-se a mais conhecida das histórias de amor da literatura mundial.
16- Assim foi levada Ester ao rei Assuero, à sua casa real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado.
17- E o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e alcançou perante ele graça e benevolência mais do que todas as virgens; e pôs a coroa real na sua cabeça, e a fez rainha em lugar de Vasti.
18- Então o rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e aos seus servos; era o banquete de Ester; e deu alívio às províncias, e fez presentes segundo a generosidade do rei.

Entre dezenas de lindas jovens de diversas nações pretas, Hadassa (Ester) foi considerada a mais bela entre as belas e teve posteriormente um papel fundamental na preservação do seu povo, evitando que o mesmo fosse exterminado. Em outro artigo escreveremos da Negra Hadassa, amor ao seu povo e Purim.
 

INTOLERÂNCIA A DEUSES E DEUSAS PRETAS

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail:walterpassos21@yahoo.com.br

Há todo o momento o povo preto é agredido de diversas formas e maneiras por manter o referencial africano nas religiões - Umbanda, Candomblé, Catolicismo, Cristianismo de Matriz Africana - em conseqüência diversas retaliações são empregadas, como a iconoclastia (destruição de imagens), invasão de locais de culto em uma cruzada religiosa contra o povo preto, além de mudanças exegéticas e hermenêuticas para o branqueamento de civilizações e personagens nos livros religiosos. Não possuo sentimentos de raiva e nem de ódio, porque entendo haver um planejamento para o desconhecimento da história das civilizações primitivas, civilizações africanas, sendo assim, nem raiva e o ódio são sentimentos que devem ser cultivados, mas, cultivado deve ser a preocupação da continuidade de difusão de mentiras.
Caminho para tal entendimento é o afrocentrismo e a prática dopanafricanismo, ambos, podem reverter esse processo no nosso povo. Sendo nós a maioria da população, ainda assim, usados como ponta-de-lança e testa-de-ferro nos ataques de um engendramento racista bem aprimorado, percebemos que o ocorrido é um aprisionamento da consciência, tornado-se necessários métodos educacionais e empenho panafricanista de solidariedade entre o povo preto, para mudar essa realidade e libertar os prisioneiros mentais do racismo e das mentiras caucasianas.
Devemos ressaltar que as mudanças foram progressivas e são sistemáticas na destruição da verdade histórica. Imagine que desde a escravidão o povo preto foi obrigado a assimilar imagens européias, mutilação das deidades pretas. Todos os deuses e todas as deusas das civilizações antigas foram pretos, inclusive nas primeiras civilizações caucasianas, as quais imagens e mitologia retratam os primeiros habitantes do planeta: a civilização preta. As deidades do mundo antigo, inclusive das bem recentes civilizações caucasianas Grécia e Roma, foram pretas: Júpiter, Baco, Hercules, Apolo, Vênus, Hécate, Diana, Juno, Métis e outras. Sabemos inclusive que Dionísio foi Osíris reinventado.

E-mails são enviados por pessoas pretas protestantes que ficam histéricas com os posicionamentos do CNNC, ao afirmar a pretitude de Yeshua, não aceitam porque aprenderam a adorar Deus com uma concepção européia. Nós do CNNC não inventamos um Deus Preto.
Os relatos do Primeiro Testamento retratam sacerdotes que adoravam Deus na sua essência de pretitude.
Nee 9:7 - Tu és o Senhor, o Deus, que elegeste a Abrão, e o tiraste de Ur dos caldeus, e lhe puseste por nome Abraão.Há alguma dúvida entre as leitoras e leitores que os Caldeus foram homens pretos?
Gen 14:18 -E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo.Melquisedeque foi um homem preto, provavelmente da Etiópia e um dos primeiros sacerdotes do Eterno.
Gen 41:45 - E Faraó chamou a José de Zafenate-Panéia, e deu-lhe por mulher a Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om; e saiu José por toda a terra do Egito. O sacerdote de Om. Om significa "luz" ou o "sol". A cidade de Om era o centro da adoração ao sol no Egito. Os egípcios adoravam deuses e deusas pretas, deuses que demonstravam sua imagem de pessoas pretas, José casou-se, dessa forma, com uma mulher preta, sendo ele também um homem preto.
Exo 3:1 - E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto, e chegou ao monte de Deus, a Horebe.Tanto assim que Jetro, um homem preto era um sacerdote de Javé, bem antes dos hebreus voltarem a conhecê-lo.
Todos os relatos do Primeiro Testamento são de civilizações pretas afro-asiáticas adorando deuses e deusas pretas.
Pretas foram as primeiras civilizações do planeta e retrataram-se em imagens pretas, pois não havia branco no planeta. Quais foram os profetas e fundadores das religiões antigas de origem caucasiana? Não há algum, significando que todas as grandes religiões do planeta com os seus erros e acertos foram criadas pelas civilizações pretas. Como que os europeus que surgiram há pouco tempo tentam modificar a verdade histórica, inventaram a bruxaria nas regiões geladas podem maquiar as divindades africanas ancestrais com a sua imagem e semelhança, através do poder das armas e da ideologia.
As provas surgem a todo o momento do aparecimento da civilização caucasiana que para muitos cientistas foi uma mutação dos primeiros habitantes do planeta terra, os seres originais: O povo preto.

NOSSA SENHORA APARECIDA
 
A imagem de Aparecida foi atacada duas vezes: a primeira em 16 de maio de 1978, por um jovem protestante que atirou uma pedra destrindo-a dentro da basílica, e outra, quando milhões de telespectadores viram quando um bispo branco da Igreja Universal, chutou em um programa de televisão, uma réplica da imagem.
Confira o Bispo Chutando a Imagem:
Há dezenas de relatos na internet sobre pessoas que questionam a imagem preta de Aparecida e relatos de católicos que, após discriminarem a imagem por sua cor, dizem agraciados e se arrependem. Evidente que esses fatos levam a três questões: a iconoclastia e o racismo da sociedade cristã branca brasileira e o desconhecimento das primeiras sociedades do planeta que criaram imagens de deuses e deusas pretos, porque foram os primeiros a habitar o planeta e conhecerem Deus antes do surgimento da civilização branca, uma mutação dos homens e mulheres originais. O conhecimento dessa mutação faz com que as imagens pretas sejam atacadas e destruídas. Conforme relatos de jornais: “A imagem de nossa Senhora Aparecida está protegida por dois seguranças e assim mesmo um protestante atirou uma lata na imagem”.
Por que tanto ódio à imagem de Nossa Senhora Aparecida?
Segundo está escrito no Livro Teologia Negra: A Revelação:
"Os fundamentalistas que a todo o momento, tentam descobrir o ANTICRISTO e a Besta Apocalíptica a identificam como preta a deusa citada no livro de Jeremias 7:18 – Os filhos recolhem lenhas, os pais acendem o fogo e as mulheres preparam a massa para fazer broas em honra a Rainha dos céus. E em Jeremias 44:17 – Antes certamente cumpriremos toda a palavra que saiu da nossa boca, queimando incenso a Rainha dos céus.Essa adoração a Rainha dos Céus era praticada em todas as sociedades do mundo antigo e as representações dessas deusas foram de mulheres pretas: Athor, no Egito, Virgem Depaira na China e no Tibete, Hestia na Grécia, Juno em Roma, entre outras. Fato esse normal porque as civilizações pretas foram às primeiras que surgiram e se desenvolveram no planeta."
“Por milhares de anos as mulheres pretas foram adoradas na África em todo o mundo.”
Isis -Deusa Preta do Egito
Enquanto Aparecida é uma imagem preta, há inúmeros questionamentos sobre a etnicidade de Maria, dentro do próprio catolicismo e protestantismo brasileiro. Não é simplesmente o fato de a iconoclastia ser praticada pelos protestantes, pois eles não são iconoclastas em suas revistas e outras produções literárias que só representam a Maria Branca e Yeshua Branco.

Capa da revista dos adventistas usada no 2º trimestre de 2008
A Igreja Católica Romana com a sua diversidade cultural é "mais aberta" e bem mais próxima das vertentes históricas, juntamente com as Igrejas Ortodoxas, possuem documentações do cristianismo primitivo, sendo detentoras de documentação icnográfica do cristianismo inicial, onde se constata que as imagens de Maria são todas pretas.
A Madona Preta do Nekromanteion- Grécia
Virgem Preta - Notre Dame - Dijon
As igrejas protestantes surgiram após os movimentos reformadores do séc. XVI na Europa, com uma visão capitalista e discriminatória. O Pentecostalismo clássico e o neopentecostalismo se originaram de pessoas oriundas do protestantismo histórico.
Aparecida é uma representação histórica real da cor epitelial de Maria e se torna vítima de ações depreciativas e racistas na sociedade brasileira. Esses ataques são feitos atualmente em grande parte na nova vertente protestante, conhecida como neopentecostalismo, e por outros grupos dos protestantes históricos e do pentecostalismo clássico, que na sua maioria são de descendentes de africanos, e por mais paradoxal que seja são os primeiros a negar a etnicidade de Maria.
A mulher preta no Brasil sempre foi um ícone de serviços e bênçãos: como mãe preta na casa grande e ama-de-leite amamentando forçadamente os filhos de senhores, como Anastácia, mulher guerreira e quilombola, lutando pela liberdade.
E a presença de Maria na vida brasileira é apenas um exemplo de representação das madonas pretas. Na Espanha são mais de cinqüenta, na França trinta e duas, Na Itália trinta, e dezenove foram encontradas na Alemanha.
No meio protestante brasileiro seja ele histórico, pentecostal clássico ou neopentecostal, o nome de Maria não é lembrado. Fruto do anticatolicismo inicial dos primeiros missionários sulistas norte-americanos. Hoje, na intolerância religiosa os antigos perseguidos se tornaram perseguidores e criadores da inquisição protestante no Brasil, que é fundamentada na discriminação religiosa e racial, e Maria se tornou à representatividade do mal, vista como satânica, bestial, anticristã e símbolo do início da chamada grande tribulação.
Juntamente com essas concepções protestantes, uma parcela da sociedade brasileira, imbuída ainda de práticas discriminatórias e, outra parte africana presente em todas as correntes do protestantismo, sem bases históricas das populações afro-asiáticas da época na qual viveu Maria, não aceitam que a Padroeira do Brasil seja uma mulher preta.
A imagem de Aparecida é uma das comprovações do afrocentrismo que todas as imagens das divindades foram de ho
mens e mulheres pretas.