sexta-feira, 27 de abril de 2012

STF aprova por unanimidade a política de cotas raciais



Denise Porfírio/FCP

Por Daiane Souza
O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou nesta quinta-feira (26) a constitucionalidade do sistema de cotas raciais adotado pelas universidades públicas brasileiras. O julgamento teve como resultado a conclusão unânime dos 10 ministros da mais alta corte do país quanto à improcedência da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186, proposta pelo Partido Democratas (DEM).
O partido considera que o sistema viola a Constituição Federal por determinar critérios de seleção com base na raça para o ingresso, especificamente de negros, na educação superior. Primeiro a votar na segunda sessão do julgamento iniciado na quarta-feira (25), o ministro Luiz Fux acompanhou o voto do relator Ricardo Lewandowski, favorável a constitucionalidade da ação afirmativa.
Equidade – De acordo com Fux, a opressão racial dos séculos da sociedade escravocrata deixou cicatrizes com graus alarmantes no país, especialmente no que diz respeito à educação. Segundo ele, o sistema de cotas não configura um ato discriminatório. “É uma classificação benigna que visa fins sociais louváveis”, disse. “Uma coisa é vetar a discriminação, outra é possibilitar a integração dos que a sofrem ao seu lugar de direito na sociedade”, completou.
Em sua avaliação, a ministra Rosa Weber afirmou que a disparidade no país é flagrante. “A pobreza tem cor no Brasil”, disse. Ela alertou que dos 10% mais pobres da população, 75% são pretos e pardos. “Por estes e outros dados, faz parte do papel do Estado pelo menos equilibrar as desigualdades completas e solucionar as desigualdades sociais”, ressaltou.
Universidade modelo – A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186 foi protocolada contra o sistema de cotas da Universidade de Brasília (UnB), primeira instituição federal a instituir o programa em 2004. Com a sua metodologia aprovada, o modelo da Universidade será referência para normatizar a aplicação das ações afirmativas em todo o país.
“Com a decisão do Supremo o projeto emancipatório da UnB a faz entrar mais uma vez para a história com uma postura inovadora que é própria da instituição”, reconheceu o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Júnior. “O sistema de cotas deve ser considerado completo, pois é plural, democrático e aumenta as chances de participação do negro nos melhores espaços da sociedade”, ressaltou a ministra Rosa Weber.
Já para Carmem Lúcia e os demais ministros que acompanharam o voto de Lewandowski, as ações afirmativas não são as melhores opções para se reparar consequências de mais de um século a partir da abolição da escravidão. “Porém fazem parte de um processo diante de um quadro onde a liberdade e a igualdade de oportunidades não aconteceu naturalmente”, enfatizou a ministra.
De acordo com a corte o sistema de cotas se faz necessário, mas somente até que seja alcançado o resultado esperado que é a igualdade de oportunidades e de participação nos produtos do progresso visando um país racialmente democrático.
Para Eloi Ferreira de Araujo, presidente da Fundação Cultural Palmares, os contornos históricos da votação levam ao instante que precedeu a assinatura da Lei Áurea. “Ela veio desacompanhada das possibilidades reais para emancipação da população negra brasileira. Sinto que tivemos o fim da escravidão somente agora com o direito à educação”, disse. “Agora falta viabilisar aos quilombolas, o direito à terra”, afirmou referindo-se ao Decreto 4887/2003 a ser julgado pelo Supremo.

Spike Lee entrevista a Ministra da Igualdade Racial Luiza Bairros para documentário “Go Bazil Go!”


O cineasta está no Brasil desde terça-feira (24), capturando imagens para projeto audiovisual sobre o país
Spike Lee entrevista a Ministra da Igualdade Racial Luiza Bairros para documentário “Go Bazil Go!”
A conversa com a ministra foi pautada em desigualdades raciais do país e avanços alcançados na área

Ícone do cinema afro-americano, o cineasta estadunidense Spike Lee entrevistou hoje (26) a Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros. Diretor, produtor e roteirista, Spike está no Brasil desde a última terça-feira, capturando imagens e participações de várias personalidades para o seu documentário “Go Brazil Go!”. A conversa com a ministra foi pautada em questões relativas às desigualdades raciais do país e nos avanços alcançados na área.

Além da ministra Luiza Bairros, estão na lista de entrevistados a presidenta Dilma Rousseff; os deputados federais Luiz Alberto e Romário; os cantores Gilberto Gil, Jorge Ben Jor e Chico Buarque; e o ex-jogador de futebol Pelé. O documentário, que fala sobre a emergência do país no cenário internacional, deve ser lançado antes da Copa do Mundo Fifa 2014.

Spike Lee se destaca na indústria cinematográfica pela abordagem da temática racial. A ele se atribui a abertura de portas em Hollywood para uma conscientização sobre os problemas sociais dos Estados Unidos.

O cineasta já esteve no Brasil para filmar o clipe “They Don’t Care About Us”, de Michael Jackson, no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, e no Pelourinho, em Salvador, com o Olodum. Em 1989, conseguiu reproduzir com maior fidelidade a sua visão do cotidiano das minorias com o filme “Do the Right Thing” (Faça a Coisa Certa), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar por melhor roteiro original

Alexandre Pires é convocado a prestar esclarecimentos ao MP sobre vídeo acusado de conteúdo racista e sexista


Decisão do MP atendeu a solicitação de providências da Ouvidoria da Seppir, que acatou denúncias de diversas entidades sobre o vídeo que compara pessoas negras a macacos

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento administrativo na Procuradoria da República, em Uberlândia, Minas Gerais, para que o cantor Alexandre Pires preste esclarecimentos sobre o vídeo Kong, denunciado por exibir conteúdo racista e sexista. A convocação do artista foi motivada por solicitação de providências encaminhada pela Ouvidoria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) ao MPF.



Além do Ministério Público, o órgão oficiou a gravadora Sony Music, o Departamento de Polícia Federal e a Ouvidoria da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). Esta última, em função da exposição de mulheres na peça publicitária, reforçando o estereótipo de símbolo sexual.

De acordo com o Ouvidor da Seppir, Carlos Alberto Júnior, o MP foi acionado em função de denúncias oriundas de várias entidades entre as quais o Observatório do Racismo Virtual, que acusa a postagem do vídeo no site youtube, com “conteúdo racista e sexista, comprometendo as lutas do movimento negro na superação do racismo, e das mulheres na superação do sexismo. Combinando artistas e atletas, o vídeo utiliza clichês e estereótipos contra a população negra”.

Em sua argumentação, o ouvidor da Seppir observa: “ao expor pessoas negras vestidas de “macaco”, o referido cantor contribui para a permanência histórica do racismo e práticas eugenistas, de inferiorização da população negra, tendo em vista que a maioria das denúncias feitas à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial são ofensas às pessoas negras comparadas a “macacos”.

Devassa
Processo semelhante, envolvendo a cervejaria Devassa do Grupo Schincariol, foi arquivado recentemente, após o cumprimento de determinações do MP pela empresa. Além da realização de seminários para discutir formas de solucionar o conflito configurado nas propagandas de cerveja e os direitos das mulheres, a Schincariol foi condenada a pagar multa e divulgar contrapropaganda por prática de campanhas publicitárias discriminatórias.

A peça que originou a reclamação contra a Devassa utilizava uma frase associando a imagem de uma mulher negra à cerveja, reforçando o processo de racismo e discriminação a que as mulheres negras estão submetidas historicamente no Brasil. O processo foi encaminhado pela SEPPIR, que cumpriu os acordos internacionais de violações aos direitos das mulheres, a partir das denúncias referentes à propaganda que divulgava a frase: "É pelo corpo que se reconhece a verdadeira negra. Devassa negra encorpada. Estilo dark ale de alta fermentação. Cremosa com aroma de malte torrado".

De acordo com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), as infrações cometidas no anúncio da Devassa encontravam-se previstas em inúmeros artigos do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Novelas brasileiras passam imagem de país branco, critica escritora moçambicana




Brasília - "Temos medo do Brasil." Foi com um desabafo inesperado que a romancista moçambicana Paulina Chiziane chamou a atenção do público do seminário A Literatura Africana Contemporânea, que integra a programação da 1ª Bienal do Livro e da Leitura, em Brasília (DF). Ela se referia aos efeitos da presença, em Moçambique, de igrejas e templos brasileiros e de produtos culturais como as telenovelas que transmitem, na opinião dela, uma falsa imagem do país.
"Para nós, moçambicanos, a imagem do Brasil é a de um país branco ou, no máximo, mestiço. O único negro brasileiro bem-sucedido que reconhecemos como tal é o Pelé. Nas telenovelas, que são as responsáveis por definir a imagem que temos do Brasil, só vemos negros como carregadores ou como empregados domésticos. No topo [da representação social] estão os brancos. Esta é a imagem que o Brasil está vendendo ao mundo", criticou a autora, destacando que essas representações contribuem para perpetuar as desigualdades raciais e sociais existentes em seu país.
"De tanto ver nas novelas o branco mandando e o negro varrendo e carregando, o moçambicano passa a ver tal situação como aparentemente normal", sustenta Paulina, apontando para a mesma organização social em seu país.  
A presença de igrejas brasileiras em território moçambicano também tem impactos negativos na cultura do país, na avaliação da escritora. "Quando uma ou várias igrejas chegam e nos dizem que nossa maneira de crer não é correta, que a melhor crença é a que elas trazem, isso significa destruir uma identidade cultural. Não há o respeito às crenças locais. Na cultura africana, um curandeiro é não apenas o médico tradicional, mas também o detentor de parte da história e da cultura popular", detacou Paulina, criticando os governos dos dois países que permitem a intervenção dessas instituições.
Primeira mulher a publicar um livro em Moçambique, Paulina procura fugir de estereótipos em sua obra, principalmente, os que limitam a mulher ao papel de dependente, incapaz de pensar por si só, condicionada a apenas servir.
"Gosto muito dos poetas de meu país, mas nunca encontrei na literatura que os homens escrevem o perfil de uma mulher inteira. É sempre a boca, as pernas, um único aspecto. Nunca a sabedoria infinita que provém das mulheres", disse Paulina, lembrando que, até a colonização europeia, cabia às mulheres desempenhar a função narrativa e de transmitir o conhecimento.  
"Antes do colonialismo, a arte e a literatura eram femininas. Cabia às mulheres contar as histórias e, assim, socializar as crianças. Com o sistema colonial e o emprego do sistema de educação imperial, os homens passam a aprender a escrever e a contar as histórias. Por isso mesmo, ainda hoje, em Moçambique, há poucas mulheres escritoras", disse Paulina.
"Mesmo independentes [a partir de 1975], passamos a escrever a partir da educação europeia que havíamos recebido, levando os estereótipos e preconceitos que nos foram transmitidos. A sabedoria africana propriamente dita, a que é conhecida pelas mulheres, continua excluída. Isso para não dizer que mais da metade da população moçambicana não fala português e poucos são os autores que escrevem em outras línguas moçambicanas", disse Paulina.
Durante a bienal, foi relançado o livro Niketche, uma história de poligamia, de autoria da escritora moçambicana.


Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

terça-feira, 27 de março de 2012

Uma em cada quatro mulheres com câncer de mama precisa de duas cirurgias

cancer de mama
Aproximadamente uma entre quatro pacientes com câncer de mama que fazem mastectomia parcial tem que passar por segunda cirurgia para remover o tecido suspeito. A conclusão vem de um estudo realizado pelo Lacks Cancer Center (EUA), que avaliou mais de 2.000 mulheres mastectomizadas.

Três em cada quatro mulheres com câncer de mama nos Estados Unidos optam por realizar cirurgia conservadora. A segunda cirurgia é realizada quando há suspeita de que a cirurgia inicial não removeu todo o tumor. Os pesquisadores observaram que essas taxas variam muito de cirurgião para cirurgião. Alguns quase nunca realizam a segunda cirurgia, enquanto outros realizam em aproximadamente 70% dos seus pacientes.
No estudo, foram avaliadas as taxas de re-excisão (segunda cirurgida) em quatro instituições norte-americanas. Eles encontraram uma grande variação de centro para centro. Das 2.206 pacientes com câncer de mama incluídas na análise, 454 passaram por segunda cirurgia. Quarenta e oito mulheres passaram por duas cirurgias adicionais e sete mulheres por três reoperações.
A segunda cirurgia foi realizada em 86% das mulheres cujos exames de imagem mostraram que ainda havia tecido canceroso. Alguns cirurgiões também realizavam essa cirurgia quando não havia imagem clara que indicasse tumor. Essa taxa variou em até 70 % entre os cirurgiões e de 1,7% a 21% entre as instituições.
O estudo deixa claro que há muita variação na forma como é feito o atendimento à mulher que passa por mastectomia parcial. É necessário que esse assunto seja abordado com mais frequência entre paciente e médico. Também é preciso que seja cuiadosamente avaliada a real necessidade de cirurgia ems casos em que a imagem de tumor residual não é clara.
Os especialistas afirmam que a reoperação, além de agressiva, pode ser desnecessária atualmente. A quimioterapia e a terapia hormonal são opções eficazes e comumente utilizadas após a cirurgia. Uma operação desse porte precisa de mais critérios para ser realizada.
Proteja-se do câncer de mama
Quando o assunto é câncer de mama, a situação é alarmante, praticamente uma epidemia, segundo o diretor do Instituto Paulista de Cancerologia e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Ricardo Antunes. Por isso mesmo é necessário, mais do que nunca, o diagnóstico precoce. Veja a algumas recomendações para detectar a doença.
Faça o autoexame
"O autoexame ainda é uma das formas mais eficientes de detectar a doença. Quando ela é diagnosticada cedo (tumores de 2cm, em média) as chances de cura são de 90%" , afirma o médico. Para fazer o autoexame:
1. Tire a sua blusa e olhe a aparência de suas mamas em frente ao espelho.
2. Levante os braços e, em seguida, apalpe os seios até as axilas.
3. Coloque os braços na cintura e depois, alternando as mãos, continue apalpando. Perceba se há algum nódulo.
4. Deite-se e percorra suas mamas calmamente. Nesta hora, é bom apertar o bico dos seios para ver se não há secreções.
Evite álcool e cigarro
Cerca de 30% dos casos de câncer de mama advêm do vício em bebidas alcoólicas e cigarros. "Estes hábitos diminuem a resistência do organismo e favorecem o acúmulo de gordura corporal, o que pode levar ao câncer", explica o médico.

Fonte: Minha Vida

Primeira travesti a fazer doutorado no Brasil defende tese sobre discriminação

luma-travesti
Luma Andrade descreve o preconceito sofrido por travestis na rede pública de ensino e aponta lacunas na formação de professores; defesa será em julho

Antes de se tornar supervisora regional de 26 escolas públicas e ingressar no doutorado em Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luma Andrade assinou o nome João por 30 anos, foi rejeitada pelos pais na infância, discriminada na escola e, mais tarde, no trabalho.
Na tese de quase 400 páginas que irá defender em três meses, a primeira travesti a cursar um doutorado no Brasil relata a discriminação sofrida por pessoas como ela na rede pública de ensino. Ela também aponta lacunas na formação dos professores.
Criança nos anos de 1970, no município de Morada Nova, a 170 quilômetros de Fortaleza, o único filho homem de um casal de agricultores, era João, mas já se sentia Luma. Em casa, escondia-se para evitar ser confrontada. Na escola, apanhava dos meninos por querer parecer uma menina. Em uma das vezes que foi espancada, aos nove anos, queixou-se com a professora e, ao invés de apoio, ouviu que tinha culpa por ser daquele jeito.
Mais tarde, já com cabelos longos e roupa feminina, sofria de segunda a sexta-feira na chamada dos alunos, ao ser tratada pelo nome de batismo. Não se reconhecia no uniforme masculino que era obrigada a usar. Evitava ao máximo usar o banheiro. Aturava em silêncio as piadas que os colegas insistiam em fazer. "Se a travesti não se sujeitar e resistir, acaba sucumbindo", lamenta.
Luma se concentrou nos estudos e evitou os confrontos. "Tem momento que a gente quer desistir. Eu não ia ao banheiro urinar, porque eu queria usar o feminino, mas não podia. Então eu me continha e, às vezes, era insuportável", relembra. Mas ela concluiu o ensino médio e, aos 18 anos, entrou na universidade. Quando se formou aos 22, já dava aulas e resolveu assumir a homossexualidade. Quando contou que tinha um namorado, foi expulsa de casa.
Em 2003, já com o título de mestre, prestou concurso para lecionar biologia. Eram quatro vagas para uma escola estadual do município de Aracati, a 153 quilômetros de Fortaleza. Apenas ela passou. Contudo, o diretor da escola não a aceitou. Luma pediu a intervenção da Secretaria de Educação do Estado e conseguiu assumir o posto.
"Eu não era tida como um bom exemplo". Durante o período de estágio probatório, tentaram sabotar sua permanência na escola. "Uma coordenadora denunciou que eu estava mostrando os seios para os alunos na aula". Luma havia acabado de fazer o implante de proteses de silicone. "Eu já previa isso e passei a usar bata para me proteger, esconder. Eu tinha certeza que isso ia acontecer".
Anos depois, Luma assumiu um cargo na Coordenadoria Regional de Desenvolvimento de Educação de Russas, justamente a região onde nasceu. Como supervisora das escolas estaduais de diversos municípios, passou a interceder em casos de agressões semelhantes ao que ela viveu quando era estudante.
"Uma diretora de escola fez uma lista de alunos que, para ela, eram homossexuais. E aí mandou chamar os pais, pedindo para que eles tomassem providências". A providência, segundo ela, foi "muito surra". "O primeiro que foi espancado me procurou", lembra. Luma procurou a escola. Todos os gestores e professores passaram por uma capacitação para aprender como lidar com a sexualidade dos estudantes.
Um ano depois, em 2008, Luma se tornou a primeira travesti a ingressar em um doutorado no Brasil. Ela começou a pesquisar a situação de travestis que estudam na rede pública de ensino e constatou que o caso da diretora que levou um aluno a ser espancado pelos pais e todas as outras agressões sofridas por homossexuais tinham mesma a origem.
"Comecei o levantamento das travestis nas escolas públicas. Eu pedia para que os gestores informassem. Quando ia averiguar a existência real do travesti, os diretores diziam: 'tem aquele ali, mas não é assumido'. Percebi que estavam falando de gays", relata.
A partir desse contato, Luma trata em sua tese de que as travestis não podem esboçar reações a ataques homofóbicos para concluir os estudos.
Mas também sugere que os cursos de graduação em licenciatura formem profissionais mais preparados não apenas para tratar da homossexualidade no currículo escolar, mas também como lidar com as especificidades de cada pessoa e fazer da escola um lugar sem preconceitos.
"Cada pessoa tem uma forma de viver. Conforme ela se apresenta, vai se comunicar e interagir. O gay tem uma forma de interagir diferente de uma travesti ou de uma transexual. O não reconhecimento dessas singularidades provoca uma padronização. A ideia de que todo mundo é 'veado'".
A tese de Luma já passou por duas qualificações. Ela está em fase final, corrigindo alguns detalhes e vai defendê-la em julho, na UFC, em Fortaleza.
Fonte: IG

Resenha do Livro “Abdias do Nascimento”, de Sandra Almada

Por Jair Silva
Abdias Nascimento
ALMADA, Sandra. Abdias Nascimento. São Paulo: Selo Negro, 2009, 166p.

abdias
Convidada pela Editora Selo Negro para contar em uma biografia a vida de um grande e conhecido militante negro que viveu por mais de 90 anos de idade, o que não deixa de ser um imenso e gigantesco desafio para qualquer escritor que se aventure a escrever sobre a trajetória de um ativista e humanista da dimensão histórica e grandeza moral, cultural e intelectual como carregavaAbdias do Nascimento em sua brilhante trajetória de luta contra o racismo no Brasil e no mundo.Para a nossa alegria e felicidade, Sandra Almada aceitou essa tarefa com muita maestria, sensibilidade e competência. Uma professora universitária negra e pesquisadorapreocupada em reconstruir,valorizar e contar para o grande público a imagem e história dosafro-brasileirosno nosso Brasil, apesar de não ter na sua formação o ofício de historiadora em seu currículo acadêmico. Essa jornalista,também, já nos brindou com o livro Damas Negras-Sucesso,Lutas e Discriminações,uma obra que narra e conta a trajetória de atrizes negras como Léa Garcia, Chica Xavier, Zezé Mota e Ruth de Souza.
Com uma linguagem tipicamente didática e de fácil compreensão, como se quisesse atingir e conquistar o máximo de leitores nesse livro que contém 10 capítulos e 166 páginas. A jornalista Sandra Almada ao dizer que "diferentemente dos relatos historiográficos queapresentam de forma grandiosa os feitos monumentais de homens ligados às elites"(p.20), percebe-se claramente que de imediato ela quer colocar o leitor para conhecer a biografia de um negro oriundo das classes populares e que fez da sua trajetória social uma história de superação e luta contra as adversidades provocadas pelo racismo.É o que podemos perceber já no primeiro capítulo quando há uma transcriçãoda fala de Abdias Nascimento sobre o racismo que o mesmo enfrentou na vida escolar, mostrando que as professoras sempre encontravam formas ofensivas para falar com ele e a revelação triste de um racismo hostil que no ambiente educativo excluía o menino de fazer parte do teatro de fantoches, na escola.
Acreditamos que essa preocupação da escritora em detalhar os difíceis anos da infância e adolescência de Abdias no município de Franca, cidade onde o grande e respeitado ativista negro nasceu sob a condição de filho de uma doceira e cozinheiraque prestava serviços em fazendas da região. A autora revela que o menino Abdias tinha que trabalhar entregando leite e carne na casa de famílias abastadas, com apenas noveanos de idade. Ou trabalhando na condição de faxineiro num consultório de um médico onde teria começado os seus primeiros passos na literatura, entre os seus12 e 13 anos de idade, segundo a autora desta biografia.Na nossa concepção,ao discorrer sobre esse período da sociedade brasileira, mostrando como a população negra foi marginalizada num estado onde a imigração branca-europeia substituiu o negro no mercado de trabalho. Ao fazer esta analise tendo como base a vida familiar e social de Abdias Nascimento a autora revela para os leitores o alto grau de racismo impregnado no comportamento das elites da época,ao mesmo tempo em quenos mostra e faz entender toda uma conjuntura histórica e social naqual a raça negra foi jogada à própria sorte como diria Florestam Fernandes ao analisar a vida do negro na sociedade de classes, durante a chamada sociedade pós-abolicionista nas primeiras décadas do século XX.
Não temos dúvida que essa talvez tenha sido a principal intenção desta pesquisadora ao detalhar para o leitor determinados fatos e aspectos pouco conhecidos da vida de Abdias em Franca,cidade do interior do estado de São Paulo. Entretanto, esta escritora que há 20 anos acompanhava a militância de Abdias Nascimento não fica só no discurso da vitimização, já que a primeira lição de solidariedade racial que teve Abdias foi quando sua genitora impediu uma mulher branca de surrar uma pobre criança negra. Também gostei de ter lido notexto da jornalista Sandra Almada o gosto pelas letras e artes que marcou a adolescência dofuturo escritor e ativista negro. Vejo que esse tipo de informação faz com que o leitor entenda como um negro pobre e discriminado superou a ignorância imposta à população negra pela elite branca e racista da época, ao relatarrelações de amizade construídas por Abdias Nascimentoquando o mesmo foi chamado para tomar conta de um consultório de um dentista, onde ele teve a sorte de ter acesso a uma rica biblioteca a qual lhe possibilitou o convívio com leituras de obras clássicas de autores como os Sertões de Euclides da Cunha, A Carne de Júlio Ribeiro, O Ateneu de Raul Pompéia, além dos livros de Monteiro Lobato.
Já nos capítulos 2 e3, anossa autora convida o leitor a conhecer como Abdias teve contato com a cultura negra no Rio de Janeiro quando morava no morro da Mangueira e na cidade de Duque de Caxias e seu engajamento político com algumas entidades, a exemplo da Frente Negra Brasileiraem São Pauloe Ação Integralista Brasileira. Poderíamos debater e problematizar váriosaspectosrelevantes da vida deste ativista negro a partir das observações destapesquisadora. Poderíamos mostrar, por exemplo, as relações de amizadedo militante negro com o poeta, ator, escritor, teatrólogo e comunista Solano Trindade, assim como daria para descrever também que Abdias conviveu com nomes importantes da cultura negra brasileira como o maestro Abigail Moura, regente da Orquestra Afro-Brasileira e pioneiro na criação de música erudita influenciada por ritmos negros, e sua relação com a comunidade terreiro do babalorixáJoãozinho da Goméia. Mas,como fazer história é fazer escolhas, prefiro me ater a uma parte da história bastante polêmica narrada pela escritora ao entrevistar este pensador e pesquisador da História e culturas africanas e afro-brasileiras. Refiro-me a discussão que o livro traz para o leitor pensar sobre o que levou um negro progressista e libertário a entrar num movimento de inspiração facistae que foi criado por Plínio Salgado em 1932-a AIB.Para a jornalista Abdias foi sensibilizado pelo discurso anti-imperialista e nacionalista fortemente defendidos pelos integrantes da AIB e isto foi o que justificou a adesão do grande militante panafricanista a essa corrente política na época. Curiosamente, o livro na fala do engajamento nacionalista de Abdias na campanha O Petróleo é Nosso, o que não deixa de ser uma pequenafalha da nossa autora, por se tratar de um episódio tão importante da política nacional.
Ainda com base na visão desta escritora a adesão ao integralismo teria sido uma experiência positiva na vida do militante negro,visto que o nosso biografado passou a conviver com personalidades e intelectuais da cultura e política nacionais como Alceu Amoroso Lima, Roland Corbisier, Don Elder Câmara e Adonias filho, apesar de todo o racismo praticado contra a raça negra por membros que faziam parte da Ação Integralista Brasileira. É bom frisar que este preconceito racial o militante negro sentiu na pele, pois, segundo a autora mesmo ele sendo colaborador do jornal O Radical da AIB o secretário de redação não publicava fotos de Abdias ao lado dos entrevistados nas matérias.Entretanto,para este grande teatrólogo afro-brasileiro "o integralismo foi uma grande escola de vida"(p.53), tendo em vista que para um jovem pobre e sem muitas perspectivas de vida, à época, ao participar do movimento integralista ele passou a ter uma visão mais ampla sobre educação, cultura, literatura, artes, economia e sobre os grandes problemas da sociedade brasileira como disse o próprio Abdias do Nascimento ao explicar sua adesão a um movimento tão elitista, conservador e facista, como de fato foi a AIB. Felizmente, Sandra Almada mostra para o leitor que Abdias Nascimento conseguiu se redimir em atitudes e palavras ao relatar que em 1937 este ex-militante do movimento negro deixou a Ação Integralista Brasileira, passando a fazer declarações públicas de repúdio as ideias desse movimentocomo podemos constatar durante a Convenção Política do Negro Brasileiro, que foi presidida por eleem São Paulo, no ano de 1945.
No4º capítulo,Sandra revela um lado aventureiro epouco discutido quando se fala da vida do grande militante que vivia no Rio de Janeiro dividido entre "porres homéricos" e "discussões apaixonadas sobre arte e cultura"(p.62). Ela também nos leva a conhecer a vida de um rapaz que não estava preocupado com interesses nacionalistas e com questões ligadas ao movimento negro. Aqui a obra revela ao leitorumoutro Abdias em sintonia com "aquela coisa de desprezar a lógica, renegar a ordem social e moral" (p.62). Foi pensando dessa forma que ele entrou para um grupo formado por artistas, poetas, jornalistas e escritores– o grupo cultural Santa Hermandad Orquídea,viajando para países como Bolívia, Colômbia, Peru e Argentina.
O mais interessante nessa parte do livro reside num fato que aconteceu na cidade de Lima. Conforme essa autora, foi na capital peruana que ao assistir a peça O Imperador Jones em que o papel principal era protagonizado por um ator branco, que Abdias passou a refletir sobre a exclusão da raça negra no teatro brasileiro. Para que o leitor compreenda o impacto que teve essa cena na cabeça do jovem poeta e ator, Sandra afirma que a peça escrita pelo dramaturgo EugeneO'Neill tinha como personagem central um negro de nome Brutus Jones e tudo isto, obviamente, faz com que possamos compreender de forma mais objetiva os motivos que levaram o ativista a criar mais tarde o Teatro Experimental do Negro.
Ao discorrer sobre o capítulo 5, parte mais densa e que mereceu mais atenção daautora, obviamente por se tratar dos grandes embates travados pelos integrantes do TEN, sobretudo pela atuação marcante de sua maior liderança e fundador dessa experiência teatral, cujo objetivo era o combate ao racismo e valorização da História e cultura afro-brasileira. Nesse contexto, percebemos quea sua narrativa nos remete, a nosso ver, as fases mais ricas e produtivas do ponto de vista político e intelectual de Abdias.Não foi por acaso,que essa jornalista dedicou 27 páginaspara relatar ações e lutas antirracistas organizadas pelo Teatro Experimental do Negro durante os anos 40,50 e 60,destacando para nós diversas experiências que surgiram nesse período, a exemplo do jornal Quilombo, umveiculo de comunicação que foi utilizado como uma verdadeira tribuna de luta contra as desigualdades raciais e que contava com a colaboração de escritores e intelectuais do nível de Nelson Rodrigues, Solano Trindade, Carlos Drummond de Andrade, Raquel de Queiroz, Gilberto Freire,etc.Osconcursos de beleza Boneca de Piche e Rainha das Mulatas, pioneiros na valorização da estética da mulher negra brasileira, também são exemplos realçados pela jornalista para que tenhamos uma visão mais ampla e plural do que foram as lutastravadas pelo Teatro Experimental do Negro.
Queremos deixar bem claro que não é pretensão nossa analisar em uma resenha todas as lutas e fatos que Sandra nos oferece em relação a esse teatro produzido por negros e para os negros. Mas, acreditamos que esta obra nos oferece elementos importantes para que possamos compreender o que foi realmente esse movimento cultural negro que marcou as relações raciais no nosso país. Nesse item, podemos afirmar que o livro representa uma boa contribuição no processo de reelaboração da memória do povo negro, tendo em vista que em todos os níveis da educação brasileira poucos são os livros de História que abordam a existência de nomes como do advogado e talentoso ator Aguinaldo Camargo, do pintor Wilson Tibério e do intelectual e crítico de arte Ironides Rodrigues. Particularmente,vejo como extremamente positiva a forma como esta pesquisadora traz para a cena histórica o trabalho de negros e negras marginalizados por essa historiografia racista e ocidentalizada que, a rigor, nos impedi de ver o quanto essa experiência teatral foi importante na compreensão do racismo e na construção do processo de conscientização, luta e organizaçãodos negros daquela época.
Ainda nesse capítulo,concordo com a autora quando mostra que o TEN não estava isolado na sua difícil luta pelo fim da discriminação racial enfrentada nesse tempo pelaraça negra. O livro relata queos membros dessa organização negra mantinham contato comos principais jornais dos afro-americanos, assim como traduziu e divulgou o texto Orfeu Negro de Sartre e ainda reproduziu artigos de um jornal, organizado pelo doutor em ciências sociais Du Bois e a ligação que nutria com o movimento da negritude através da revistaPrésenceAfricaine. Na verdade, o livro é bastante rico em informações sobre o TEN, mas tem uma que merece destaque da nossa parte por se tratar de um debate extremamenteoportuno na educação contemporânea. Falamos da declaração final do I Congresso do Negro Brasileiroque ocorreu em 1950 e que esta escritora discute com clareza no livro. Ora, se hoje as escolas públicas e particulares são obrigadas a ter no seu currículo aulas de História da África e Cultura Afro-Brasileira, não podemos negar que esta foi mais uma das contribuições do TEN para a posteridade e de seu criador Abdias Nascimento, uma vez que neste documento final do Congresso recomendava-se junto ao Estado brasileiro "o estímulo ao estudo das reminiscências africanas no país"(p.88).
Já nos capítulos 6 e 7, o livro traz uma discussão sobre o pan-africanismo, o exílio e como o ativista brasileiro viveu num país onde a segregação racial vigorava de forma ostensiva. A autora informa que Abdias mesmo correndo o risco de ser expulso dos Estados Unidos ele "não deixou de se posicionar a favor da luta dos negros americanos"(p.96). Na Pátria americana,o poeta e artista plástico conviveu com lideranças e organizações negras americanas, além de ter sido convidado para fazer parte de simpósios,palestras, conferências econgressos promovidos por galerias de arte e Universidades. Um dado importante e que merece ser mencionado foi a criação da cadeira de Estudos Africanos no Novo Mundo que esta obra não registra,embora tenha sido uma das conquistas do ativista brasileiro nos Estados Unidos quando ele exerceu a função de professor na Universidade de Nova York. Além desses assuntos, a nossa autora também revela o envolvimento do ator e teatrólogo como pensamento pan africanista em que "Abdias optaria pela vertente nacionalista, encabeçada por Patrice Lumumba, AiméCesaire, Cheikh Anta Diop e Steve Biko"(p.108) , pois não aceitava nem o capitalismo nem o socialismo como alternativas para solucionar a problemática do racismo no mundo, de acordo com os argumentos da jornalista Sandra Almada.
Nocapítulo 8,concordamos mais uma vez com esta autora quando diz que ele foi "o primeiro parlamentar afro-brasileiro a dedicar seu mandato à luta contra o racismo" (p.120). Essa afirmação feita por essa jornalista descreve através das inúmeras lutas políticas que o grande militante negro travaria no Congresso Nacional na qualidade de Deputado Federal e mais tarde como Senador da Republica, para sensibilizar os demais parlamentares da importância de se combater o racismo institucional, objetivando o estabelecimento de políticas afirmativas que pudessem compensar a raça negra pelos séculos de escravidão. Também explicita algumas conquistas e realizações do intelectual depois de voltar do seu exílio dos Estados Unidos. Nesse ponto, podemos perceber que ela abre a discussão falando sobre a criação do Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros e como Abdias teve dificuldades para organizar o 3 Congresso de Cultura Negras das Américas por conta das barreiras impostas pelo governo militar,na época.Constatamos nessa parte do livro que o teatrólogo participou da fundação do PDT ao lado de Leonel Brizola, assim como foi o grande responsável pela criação da Secretaria do Movimento Negro deste partido, primeira secretaria de combate ao racismo construída dentro de um partido político na história do Brasil, embora ao ter entrevistado Abdias para fazer esta obra a escritora não tenha observado esse fato histórico. Creio que seria importante, a nosso ver, ela ter registrado essenosso comentário, apenas como forma de reafirmar a relevância da militância do poeta e ativista na história do movimento negro brasileiro.
No capítulo 9, acreditamos que a narrativa do texto destaca aopressão enfrentada pelo candomblé desde os primórdios da colonização no Brasil ena opção religiosa adotada por esse filho de Oxum- o poeta Abdias do Nascimento. Sandra mostra com base em depoimentossuas relações de amizade com a importante sacerdotisa Mãe Senhora e o artista plástico Mestre Didi, ambos integrantes do terreiro de matriz africana Ilê Axé Opô Afonjá.E, ainda, ressalta a escolha do candomblé na vida do ativista como parte de sua luta contra o racismo e que isto teria surgido em função da discriminação racial praticada historicamente por setores da Igreja Católica.
Finalmente, no capítulo 10, falando sobre as inúmeras homenagens que ele teria recebido em vida, a nossa autora não hesita em afirmar que temas como as políticas de cotas, bem como o próprio debate sobre a implementaçãoda Lei 10.639\03, uma Lei que estabelece o ensino da História e Cultura Afro-brasileira no sistema de ensino seriam mais umas das conquistas das lutaspela igualdade racial do ativista no Brasil, o que concordamos com seu ponto de vista. No mais, temos que reconhecer que esta obra pode e deve fazer parte de qualquer biblioteca,pois ela traz com riqueza de detalhes citações, falas e depoimentos de outros grandes militantes negros do porte de Carlos Moore,Sueli Carneiro, ÉleSemog e Elisa Larkin Nascimento,esposa e companheira de luta do singular e grande pensador das africanidades, comparado a personagens da História mundial como Luther King, Angela Davis eAiméCésaire, diga-se a bem da verdade.Portanto, em síntese, o livro traz uma belacontribuição historiográfica na medida em que esta obra nos oferece o conhecimento de boa parteda história do movimento negro no Brasil e no mundo,tendo como foco central avida do ativista e intelectual Abdias do Nascimento, o qual deve ser visto pelas futuras gerações como o maior ativista negro brasileiro e que contribui com sua luta antirracista para o progresso da humanidade. Logo,ao ler este livro recomendo como leitura obrigatória. É que esta obra faz com que tenhamos que enfrentar as nossaspróprias consciências neste mundo marcado por apatias políticas e por fortes doses de imobilismo em muitos representantes dos excluídos. Eperceber que o seu legado ainda está para ser avaliado em toda sua dimensão histórica e intelectual. Sinceramente, esperamos que outrosmilitantes negros(as), pesquisadores, jornalistas e historiadorestenham a ousadia e coragem de um dia fazer tal empreitada,sob pena de ficarmos eternamente perguntado como entender uma personalidade tão multifacetada e humanista, como foi de fato a de Abdias do Nascimento.



Fonte: Irdeb